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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Yaônilé a caminho do Ceará!

Às vésperas de completar dois anos, o Yaônilé se prepara para a maratona desta quinta, 08 de dezembro. Dançamos pela manhã na 29ª Lavagem da Conceição (com saída da Colina do Santo Antônio, às 9h) e à noite com o Afoxé Akueran (Orla de Atalaia – a partir das 19h). Ainda na quinta, às 22h, embarcamos para o Ceará em nossa primeira viagem interestadual! Abaixo você confere a íntegra da entrevista do nosso diretor, Dan Aguiar, à jornalista Fernanda Araújo, do site de notícias F5News.

Por quê Yaônilé Cia de Dança?
O termo 'Yaônilé' é o resultado da fusão de duas outras palavras do dicionário yorubá: YAÔ - que quer dizer 'iniciado' e ONILÉ que, pela mitologia africana, seria a Mãe Terra. No final temos Yaônilé - 'iniciados pela terra' ou, 'Filhos da Terra'. Cia de dança afro e negra contemporânea Brasileira pela abertura à sociedade que é nossa proposta matriz. Afro e negra contemporânea pela própria concepção coreográfica que não se limita a mostrar apenas a dança mas também a influência que essas forças exercem sobre seus filhos, através dos movimentos. E brasileira porque, antes de tudo, essa é a nossa terra e temos orgulho em ser brasileiros.
A maioria são alunos negros? Por que?
Não segregamos pela cor, até porque a negritude está no sangue. Somos todos filhos de uma mesma África negra, independente da cor que hoje o espelho nos mostra. Brancos, indíos, amarelos, negros, enfim... Somos todos filhos da terra.
Vocês já passaram por preconceito?
Sim. Mas nada que comprometa a performance, pelo contrário. Nos inspiramos na arte pra combater o preconceito.
É a primeira vez que vocês viajam em apresentação?
Não. Já fizemos apresentações em Santo Amaro das Brotas e também em Laranjeiras na ocasião do XXXVI Encontro Cultural da cidade.
Há quanto tempo o grupo existe?
Completaremos dois anos no próximo dia 08 de dezembro. E com muitos motivos pra festejar. Só nesse período foram 26 apresentações!
Qual o estilo do grupo?
Nascemos com a proposta de mostrar os ritmos afrobrasileiros de uma forma diferenciada. O trabalho de 3 anos que desenvolvi como voluntário no Colégio Atheneu, a convite da Prof. Clélia, me possibilitou delinear uma nova plataforma de inserção desses ritmos no cenário cultural, primando pelo visual e pela beleza das manifestações.  E essa abordagem foi aprimorada no Yaônilé, de forma a alinhar o movimento, a rítmica e a expressão em um só momento que, repetidas vezes, transmitem o encanto e a magia que nascemos para mostrar.
Como tudo começou?
Após os 3 anos de voluntariado, aos quais me referi anteriormente, percebi que as possibilidades de crescimento e aprofundamento do trabalho eram grandes, mas não ali. Resolvi montar uma Cia aberta, acessível à toda sociedade, que é o Yaônilé.
Muitas dificuldades?
A falta de um espaço próprio atravanca muito nosso desenvolvimento. Mas não vamos parar. Enquanto o espaço não rola, estamos utilizamos os equipamentos públicos disponíveis que atendem, à sua maneira, parte dessa necessidade. Outra dificuldade é a falta de patrocínio. Quem já teve a oportunidade de assistir a uma de nossas apresentações conhece a riqueza se detalhes do nosso figurino e dos acessórios cênicos que incrementam as danças. Tudo isso tem um custo que, a duras penas, estamos mantendo.
Quem compõe o grupo de vocês? São alunos de universidades e escolas públicas e particulares? Vocês pretendem abrir espaço para novos dançarinos? (Eu me candidato!)
Atualmente, a Cia mantém boa parte de sua formação original. 21 jovens e adolescentes da rede pública que, há quase 5 anos, trabalham nessa área comigo. E a integração não acontece apenas para o ensaio, mas para o estudo, o diálogo, a resolução de problemas. Nesse período comemoramos a entrada de 7 dos nossos integrantes na universade. E quanto à sua candidatura, está aceita!
Para onde será a viagem?
Estamos seguindo para o Ceará, mais precisamente para o Trairi, distrito paradisíaco do município de Flecheiras, a 120km de Fortaleza. Lá participaremos da sexta edição do Festival das Algas. O grupo foi contemplado pelo Edital de Intercâmbio e Difusão Cultural n° 02/12 da Secretaria de Estado da Cultura de Sergipe, o que possibilitou boa parte dos recursos para a viagem. Por isso, os nossos agradecimentos. A viagem do grupo também contempla uma ação em homenagem ao decreto da Onu que fez de 2011, o Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes.
Qual será o tema da apresentação de vocês?
Há dois anos trabalhamos a dança dos orixás que é o nosso carro-chefe. Por conta dos cortejos que realizamos no dia 08 de dezembro, começamos produções coreográficas com o afoxé de rua e, para o Ceará, estaremos estreiando nossa primeira peça de samba reggae em homenagem ao povo das águas, aos que tem alma de jangadeiro.
Qual a expectativa para a apresentação?
Estamos radiantes! É a primeira vezbqie saímos do estado. Além de estender o alcance do nosso trabalho, poderemos fazê-lo em um local como Flecheiras, onde a natureza dá um show incrível de beleza. Ter a oportunidade de conhecer um grande empreendimento hoteleiro que homenageia os Orixás, como é o Orixás Club, e a interação entre os outros grupos que lá se fizerem presentes. E tudo isso junto ainda não explica a nossa ansiedade e empenho para tornar esse momento inesquecível.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Yaônilé e Akueran: cultura afrobrasileira VIVA!


A cultura é a alma do povo. É o produto genuíno do conjunto de suas histórias, lutas e amores. Tudo acontece entre nós, de maneira natural e fluida. E esse ciclo nunca pode morrer. É na rua que somos entidades, reis, rainhas e escravos. Somos a plebe destemida, cientes de nossa condição e insatisfeitos com ela. Mas temos orgulho e isso ninguém tira. Temos vontade e isso nunca passa. Temos beleza e isso você vê.

 

Yaônilé em Laranjeiras | Foto: Felipe Machado

Ao primeiro toque do atabaque, algo muda. É um processo iniciado. Na resposta do agogô o corpo é levado pela cadência, balançando no compasso vamos desenhando os traços da resistência, religiosidade e ancestralidade da nossa gente. Tocando o chão do passado, dançamos e cantamos para celebrar e reverenciar as forças que nos acompanham ao futuro. Não há mais chibata, surra no tronco ou altares destruídos. Mas temos algemas, e das piores. Dessas que machucam silenciosamente, veladas por uma sombra que ainda não conseguimos dissipar. Ainda!

O respeito à cultura mantém viva a herança de uma nação. A soberania das manifestações populares frente ao chamado 'mundo globalizado' não pode morrer. É para isso que nascemos e é por isso que nunca iremos morrer!


Confiram o vídeo da nossa apresentação com o Afoxé Akueran no XXXVI Encontro Cultural de Laranjeiras - SE.


Créditos para o canal techbuilderbrasil.


Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

domingo, 17 de outubro de 2010

Beija-Flor, um espetáculo azul e branco!



A Beija-Flor de Nilópolis nasceu nas comemorações do Natal de 1948. Um grupo formado por Milton de Oliveira (Negão da Cuíca), Edson Vieira Rodrigues (Edinho do Ferro Velho), Helles Ferreira da Silva, Mário Silva, Walter da Silva, Hamilton Floriano e José Fernandes da Silva resolveu formar um bloco que, depois de várias discussões, por sugestão de D. Eulália de Oliveira, mãe de Milton, recebeu o nome de Beija-Flor (inspirado no Rancho Beija-Flor, que existia em Marquês de Valença). Dona Eulália foi admitida como fundadora.

Em 1953, o Bloco Associação Carnavalesca Beija-Flor, vitorioso no bairro, foi inscrito por Silvestre David do Santos (Cabana) integrante da ala dos compositores, como escola de samba, na Confederação das Escolas de Samba, para o desfile oficial de 1954, no segundo grupo.

No seu primeiro desfile, em 1954, foi campeã passando para o grupo I, no qual permaneceu até 1963. Em 1974, retornou para o Grupo I resultado do bom trabalho desenvolvido por Nelson Abraão David. Em 1977, Aniz Abraão David assume a Presidência e projeta a Escola de Samba de Nilópolis como uma das mais famosas do mundo.


A Beija-Flor emociona principalmente com a Ala das baianas. Aquelas lindas senhoras com suas grandes saias rodadas são verdadeiros reservatórios de emoção e amor capazes de dar legitimidade a qualquer agremiação. Uma escola de samba sem ala de baianas não é uma escola de samba. Fica-lhe faltando a alma, a essência, a raiz e a verdade. 

Sua musicalidade sempre foi louvada como uma expressão fundamental da alma brasileira, ecoando os cantos negros, os sons do interior do país e a essência musical popular. Em seus movimentos de braços e giros acumulavam-se devoções, procissões, cultos africanos, católicos, cortejos e danças religiosas traduzidas em apresentações únicas, soberbas, sempre louvadas pela intelectualidade e aplaudidas pelo público mesmerizado por uma “coreografia” popular e espontânea. Sua fantasia – baseada nas indumentárias tradicionais das baianas quituteiras que ocupavam as ruas do Rio de Janeiro desde finais do século XVIII – reunia itens tradicionais – como os panos da costa, os torsos, as saias rodadas e o balangandãs – a elementos singelos – como cestinhas de flores, pequenas bandeiras, aviões de plástico, réplicas de planetas – que ajudavam a contar o “enredo” apresentado pela escolas.


A responsabilidade social é uma constante para a Beija-Flor através das ações desenvolvidas junto à comunidade como ballet, educandário, creche, esportes, entre outros. O carnaval da Beija Flor traz em 2011 o tema "Roberto Carlos: A simplicidade de um rei". 

Saiba Mais sobre a Beija-Flor em seu site.

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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Portela, a águia maior da avenida!


Oswaldo Cruz, subúrbio da Central do Brasil, na década de 20 ainda cheirava a roça, com imensas chácaras em meio a ruas de barro com valões, por onde pessoas transitavam entre vacarias e currais, a pé ou a cavalo. O bairro era uma espécie de cidade do interior, atrasado, habitado por pessoas humildes que moravam em cortiços, e operários que, de madrugada, apanhavam o trem para deslocar-se até seu trabalho. Quase que uma cidadezinha-dormitório do Rio de Janeiro. Como na época o samba era proibido, os moradores de Oswaldo Cruz não tinham onde se divertir. Por isso era comum se reunirem na casa de amigos para dançar o jongo e o caxambu, ou participarem de cerimônias religiosas ligadas ao candomblé.


Quando Paulo Benjamin de Oliveira chegou a Oswaldo Cruz tinha 20 anos e trabalhava na fábrica de bilhar Lamas. Era lustrador. Costumava freqüentar as rodas de samba no Estácio e via seus amigos sambistas serem perseguidos pela polícia. Por isso defendia que se organizasse uma estratégia para combater essa injustiça, afinal de contas, eles não eram marginais conforme procuravam caracterizá-los. Assim, numa quarta-feira, dia 11 de abril de 1923, depois do Domingo de Páscoa, foi fundado o bloco carnavalesco Conjunto de Oswaldo Cruz.

À época havia uma integração muito forte do samba com o futebol. O clube de futebol Portela ficava no mesmo lugar onde o pessoal do samba se reunia. O samba só começava depois dos jogos: “Samba e futebol são a mesma coisa”.

O Conjunto de Oswaldo Cruz foi fundado sob os conceitos de Paulo Benjamin de Oliveira: evitar os confrontos nas ruas. Os principais dirigentes estavam sempre impecavelmente vestidos além de trazerem nos dedos anéis de prata gravados a ouro, para adquirirem boa imagem junto ao público, afinal, eles eram “formados” em samba.

Dias após a fundação do bloco, Paulo cuidou do batismo. Procurou D. Martinha, baiana ligada ao candomblé, e declarou padroeiros Nossa Senhora da Conceição e São Sebastião. D. Martinha foi a madrinha.


Com o enredo “O Samba Dominando o Mundo”, o antigo Conjunto de Oswaldo Cruz, agora Portela, entrou para a história como vencedora do primeiro desfile oficial do Rio, em 1935. De lá pra cá contribuiu de várias maneiras para o carnaval carioca: foi a primeira escola que usou alegoria, introduziu a caixa-surda, o reco-reco, a comissão de frente uniformizada, o destaque e o apito da bateria. Foi campeã 21 vezes e desde 1984 não fatura um título. Para 2011 a Portela traz o carnaval "Rio, Azul da cor do mar" homenageando os 100 anos do Porto do Rio – historicamente, a porta de entrada de nosso país, por onde também exporta-se produtos gerados pela mão-de-obra e tecnologia brasileiras tornando-se referência do comércio exterior. Do Manancial inesgotável de inspiração, consolidado em todos os gêneros de arte, o mar conduzirá a Portela a uma nova missão: mais do que um Rio, ela se propõe a ser um Mar que passará em nossas vidas. E, certamente, nossos corações se deixarão levar.

A escolha do samba-enredo da Portela acontecerá hoje, a partir das 20h na Quadra da escola.

Mais informações no Site Oficial da Portela.

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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Foi assim que começou.

Muitas pessoas perguntam como o Yaônilé começou. Pois bem, foi no dia 08 de dezembro de 2009 que, sob as bençãos de Oxum, o Yaônilé apresentou-se como grupo formado. Fomos responsáveis pelo desfile das Ayabás à frente do Cortejo que trazia todo o povo de santo e a imagem da Padroeira de Aracaju durante a 27ª Lavagem da Conceição. O percurso foi marcado pela fé e pelo amor à Deusa das Águas Doces e, debaixo da proteção dela, nos constituímos como Família Yaônilé. 

Dia 08 de Dezembro de 2010 estaremos novamente formando a Comissão que vem à frente do Cortejo e, para esse ano, com o doce sabor do primeiro aniversário.

Confiram as fotos da participação do Yaônilé na 27ª Lavagem da Conceição e também a matéria produzida e veiculada pela TV Sergipe em 08/12/2009.












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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Salgueiro, um samba vermelho e branco!

Uma das mais fortes expressões brasileiras de alegria é também uma das maiores referências de fé e luta - O carnaval das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. A mobilização popular dos moradores dos morros cariocas e o empenho das diversas comunidades que compõem as agremiações são as ferramentas necessárias para o brilho dos desfiles que colorem em tons vivos a Marquês de Sapucaí, palco da festa. 

Créditos
A ligação dos morros com a religiosidade afro-brasileira é algo indiscutível até mesmo pelo processo histórico de ocupação desses locais. E tal religiosidade acabou sendo incorporada aos fundamentos e à própria história de cada uma das agremiações que não se envergonham de levantar as bandeiras da fé às entidades e do amor ao samba. As letras dos sambas-enredo quase sempre são carregadas de saudações aos orixás quando não falam abertamente sobre suas histórias.

Já no nordeste, seguindo a linha dos blocos carnavalescos, aparecem os Afoxés - Candomblés de rua. São ainda mais antigos que as agremiações cariocas e como o próprio nome sugere, desfilam com respeito e devoção a religiosidade do candomblé.

Como forma de disseminação da cultura e pluralização de conhecimento é que o Yaônilé divulgará até março de 2011 os perfis de algumas das grandes Escolas de Samba do Rio bem como dos Afoxés espalhados pelo Nordeste que, através de muita garra e coragem, elevam a dignidade do povo-de-santo ao reafirmar a seriedade das nossas crenças. Inaugurando a nossa série trazemos o perfil do G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro - uma das mais antigas agremiações do Rio de Janeiro.


Década de 50. Com o enredo "Uma Romaria à Bahia" o Salgueiro realiza seu primeiro desfile e surpreendentemente leva o 3º lugar já em sua estréia. De lá pra cá são mais de 60 anos de história de vitórias e também de derrotas. Uma vida de dedicação ao samba sempre afinado da bateria, a exuberância das alegorias e dos figurinos e também dos sambas-enredos. Uma história de fé: "A diversidade religiosa do Salgueiro permite que este abrigue um padroeiro e protetor: Xangô, orixá do Candomblé, também de cores vermelho e branco e também reverenciado no dia 20 de janeiro, quando, à noite, diante dos pegis e dos gongás, o senhor das pedreiras recebe as homenagens de seus afilhados do Salgueiro". 

O Salgueiro desenvolve diversos eventos como a tradicional "Feijoada do Salgueiro" que acontece todo segundo domingo do mês e também é idealizador da Escola Mirim que ensina crianças do morro a arte e o ofício de ser feliz através do samba.

Para 2011 ainda não há um samba enredo definido e a concorrência é acirrada. Nosso correspondente no Rio de Janeiro, Rodrigo Jesus, Salgueirense de carteirinha, esteve na quadra da escola na noite de sábado (02) e manifesta sua opinião sobre a escolha do samba representante para o Desfile do carnaval 2011 cujo tema é 'O Rio e o Cinema': "O Salgueiro vem com força, se nosso samba ganha, fica mais forte ainda. Este já tá na boca do povo, é ótimo pra cantar", conclui. 


Você pode conhecer e fazer o Download do Samba-enredo favorito de Rodrigo clicando aqui. Ouça também os concorrentes.

Para saber mais sobre a história do G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro, acesse o Site Oficial.

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