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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Logum Edé devolve a visão a Erinlé


Logum Edé era um faceiro caçador.
Erinlé o conheceu e foram caçar juntos.
Eram filho e pai, mas um outro não sabia.
Logum Edé era muito sedutor
e Erinlé se apaixonou por ele.
Ambos caçavam mais que todo mundo;
eram os dois os maiores odés.
Logum Edé flechava todos os pássaros,
mas respeitava os pássaros das feiticeiras.
Com as Iá Mi Oxorongá tinha esse pacto
e delas guardava alguns segredos.
Levava a tiracolo o adô que ganhara das velhas bruxas,
um bornal repleto de fórmulas mágicas e mistérios.

Um dia Logum Edé se distraiu
e Erinlé matou o pássaro proibido.
As Iá Mi imediatamente se vingaram
e mandou um feitiço que cegou a ambos.
Logum Edé então abriu o adô que carregava
e retirou o mistério das Iá Mi.
Pôde com ele devolver a Erinlé
a luz do sol e o brilho das estrelas.
Cego, partiu Logum seguido por Erinlé
e acabaram chegando à lagoa
onde Oxum se banhava e lavava suas pulseiras.
Logum Edé aproximou a mãe do companheiro
e dentro d'água um amor antigo renasceu.
Dessa nova união de Erinlé e Oxum
nasceu um novo rio, o rio Inlé,
e nasceu um peixe que foi montado por Logum.
Nas águas de Inlé nadou o peixe
e levou Logum Edé para as profundezas.
Foi lá que Logum Edé conheceu Iemanjá,
que o adotou e lhe deu riquezas de seu reino.
Nas margens desse rio, ele vive, desde então, por certo tempo,
voltando a viver na mata no tempo seguinte.
Logum Edé, o caçador das matas,
ganhou assim os peixes de Iemanjá.

[Notas Bibliográficas e Comentários]
Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi publicado pela Cia das Letras, págs 138 - 9. Originalmente encontrado e/ou transcrito de Reginaldo Prandi, pesquisa de campo, São Paulo, 1997.

Adô - Pequena cabaça para carregar pólvora, embornal dos orixás caçadores. Também nome da cabaça que ewá leva na mão quando dança e que em alguns candomblés é chamada de aracolê.
Odé - Caçador; nome genérico para os orixás da caça; denominação de Oxóssi na nação nagô do xangô pernambucano e no batuque gaúcho.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!