Naquele dia a caça era proibida.
Ninguém podia trabalhar.
Era dia de ir à casa de Ifá levar as oferendas.
Mas Odé queria caçar,
como fazia todo dia.
Odé não se importou com o interdito.
Odé não foi consultar o advinho.
Odé tranquilamente foi caçar,
seguiu o caminho da floresta.
Oxum, sua esposa, cansada de ver o marido
quebrar os sagrados tabus,
abandonou a casa e o esposo.
Caminhando pela mata, Odé escutou um canto que dizia:
“Eu não sou passarinho para ser morta por ti...”.
Era o canto de uma serpente, era Oxumarê.
Odé não se importou com o canto
e atravessou a cobra com a lança,
partindo-a em vários pedaços.
Odé tomou o caminho de sua casa
e, no percurso, continuou escutando o mesmo canto:
“Eu não sou passarinho para ser morta por ti...”.
Ao chegar em casa, Odé foi para a cozinha,
preparou uma iguaria com o fruto de sua caça
e comeu a saborosa comida imediatamente.
Pela manhã Oxum retornou a casa
para ver como estava o marido caçador.
Para seu espanto, encontrou morto o seu Odé.
Odé estava morto, o corpo caído no chão.
Ao lado de Odé, Oxum viu um rastro de serpente
que se alongava até a entrada da floresta.
Desesperada, Oxum foi procurar Orunmilá.
E ofereceu muitos sacrifícios.
Orunmilá deixou Odé viver de novo.
Deu a Odé o cargo de protetor do caçadores.
E Odé foi transformado em orixá.
[Notas Bibliográficas e Comentários]
Transcrito do livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi publicado pela Cia das Letras, págs 114-125. Originalmente retirado de Monique Augras, 19883, pp. 112-3. Odé, caçador em ioruba, é um nome genérico para vários orixás da caça, como Oxóssi, Erinlé, Logum Edé. No xangô, nome da religião dos orixxás em Pernambuco, e no batuque do Rio Grande do Sul usa-se Odé para referir-se a Oxóssi. No candomblé, o nome Odé aparece nas cantigas, rezas e nomes rituais, mas o nome pelo qual os devotos se referem ao orixá é Oxóssi.
Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

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