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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Convite aberto à Sociedade Sergipana - É hoje!


Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Exu come tudo e ganha o privilégio de comer primeiro




Exu era o filho caçula de Iemanjá e Orunmilá,
irmão de Ogum, Xangô e Oxóssi.
Exu comia de tudo
e sua fome era incontrolável.
Comeu todos os animais da aldeia em que vivia.
Comeu os de quatro pés e comeu os de pena.
Comeu os cereais, as frutas, os inhames, as pimentas.
Bebeu toda a cerveja, toda a aguardente, todo o vinho.
Ingeriu todo o axeite-de-dendê e todos os obis.
Quanto mais comia, mais fome Exu sentia.
Primeiro comeu tudo de que mais gostava,
depois começou a devorar as árvores,
os pastos, e já ameaçava engolir o mar.
Furioso, Orunmilá compreendeu que Exu não pararia
e acabaria por comer até mesmo o Céu.
Orunmilá pediu a Ogum
que detivesse o irmão a todo custo.
Para preservar a Terra e os seres humanos e os próprios orixás,
Ogum teve que matar o próprio irmão.

A morte, entretanto, não aplacou a fome de Exu.
Mesmo depois de morto
podia-se sentir sua presença devoradora,
sua fome sem tamanho.
Os pastos, os mares, os poucos animais que restavam,
todas as colheitas, até os peixes iam sendo consumidos.
Os homens não tinham mais o que comer
e todos os habitantes da aldeia adoeceram
e de fome, um a um, foram morrendo.
Um sacerdote da aldeia consultou o oráculo de Ifá
e alertou Orunmilá quanto ao maior dos riscos:
Exu, mesmo em espírito, estava pedindo sua atenção.
Era preciso aplacar a fome de Exu.
Exu queria comer.
Orunmilá obedeceu ao oráculo e ordenou:
"Doravante, para que Exu não provoque mais catástrofes,
sempre que fizerem oferendas aos orixás
deverão em primeiro lugar servir comida a ele".
Para haver paz e tranquilidade entre os homens,
é preciso dar de comer a Exu,
em primeiro lugar.

[Notas Bibliográficas e Comentários]
Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi, publicado pela Cia das Letras, págs 45-6. Originalmente encontrado em Rita de Cássia Amaral, pesquisa de campo, São Paulo, 1986. Em todas as cerimônias do candomblé, Exu é sempre o primeiro a receber homenagens e sacrifícios. Outros mitos também tratam dessa prerrogativa de Exu.

Obi [Obì] - Noz-de-cola, fruto africano aclimatado no Brasil (Cola acuminata, Streculicea), indispensável nos ritos de candomblé; substituído em Cuba pelo coco.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Portela, a águia maior da avenida!


Oswaldo Cruz, subúrbio da Central do Brasil, na década de 20 ainda cheirava a roça, com imensas chácaras em meio a ruas de barro com valões, por onde pessoas transitavam entre vacarias e currais, a pé ou a cavalo. O bairro era uma espécie de cidade do interior, atrasado, habitado por pessoas humildes que moravam em cortiços, e operários que, de madrugada, apanhavam o trem para deslocar-se até seu trabalho. Quase que uma cidadezinha-dormitório do Rio de Janeiro. Como na época o samba era proibido, os moradores de Oswaldo Cruz não tinham onde se divertir. Por isso era comum se reunirem na casa de amigos para dançar o jongo e o caxambu, ou participarem de cerimônias religiosas ligadas ao candomblé.


Quando Paulo Benjamin de Oliveira chegou a Oswaldo Cruz tinha 20 anos e trabalhava na fábrica de bilhar Lamas. Era lustrador. Costumava freqüentar as rodas de samba no Estácio e via seus amigos sambistas serem perseguidos pela polícia. Por isso defendia que se organizasse uma estratégia para combater essa injustiça, afinal de contas, eles não eram marginais conforme procuravam caracterizá-los. Assim, numa quarta-feira, dia 11 de abril de 1923, depois do Domingo de Páscoa, foi fundado o bloco carnavalesco Conjunto de Oswaldo Cruz.

À época havia uma integração muito forte do samba com o futebol. O clube de futebol Portela ficava no mesmo lugar onde o pessoal do samba se reunia. O samba só começava depois dos jogos: “Samba e futebol são a mesma coisa”.

O Conjunto de Oswaldo Cruz foi fundado sob os conceitos de Paulo Benjamin de Oliveira: evitar os confrontos nas ruas. Os principais dirigentes estavam sempre impecavelmente vestidos além de trazerem nos dedos anéis de prata gravados a ouro, para adquirirem boa imagem junto ao público, afinal, eles eram “formados” em samba.

Dias após a fundação do bloco, Paulo cuidou do batismo. Procurou D. Martinha, baiana ligada ao candomblé, e declarou padroeiros Nossa Senhora da Conceição e São Sebastião. D. Martinha foi a madrinha.


Com o enredo “O Samba Dominando o Mundo”, o antigo Conjunto de Oswaldo Cruz, agora Portela, entrou para a história como vencedora do primeiro desfile oficial do Rio, em 1935. De lá pra cá contribuiu de várias maneiras para o carnaval carioca: foi a primeira escola que usou alegoria, introduziu a caixa-surda, o reco-reco, a comissão de frente uniformizada, o destaque e o apito da bateria. Foi campeã 21 vezes e desde 1984 não fatura um título. Para 2011 a Portela traz o carnaval "Rio, Azul da cor do mar" homenageando os 100 anos do Porto do Rio – historicamente, a porta de entrada de nosso país, por onde também exporta-se produtos gerados pela mão-de-obra e tecnologia brasileiras tornando-se referência do comércio exterior. Do Manancial inesgotável de inspiração, consolidado em todos os gêneros de arte, o mar conduzirá a Portela a uma nova missão: mais do que um Rio, ela se propõe a ser um Mar que passará em nossas vidas. E, certamente, nossos corações se deixarão levar.

A escolha do samba-enredo da Portela acontecerá hoje, a partir das 20h na Quadra da escola.

Mais informações no Site Oficial da Portela.

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Yaônilé em Imagens #4 - Faculdade Amadeus

O público da Faculdade Amadeus se rendeu ao Yaônilé. Veja aí o porquê.











Confiram o álbum da apresentação no Flickr e também no Orkut.


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terça-feira, 12 de outubro de 2010

Platéia da Fama se rende ao Yaônilé!

Uma noite mágica! Assim pode ser descrita a noite de ontem na Faculdade Amadeus onde, durante 40 minutos, o público assistiu encantado a apresentação do Yaônilé. 

A abertura oficial da 8ª edição do Café Filosófico foi marcada pela benção das Yabás, o brilho, o encanto e o misticismo das Rainhas do Panteão Africano. Saudando a todos a partir da saída do camarim, a bailarina Monaliza Viviane jincou para interpretar Nanã, a velha divindade dos lagos e pântanos. O silêncio instaurou-se imediatamente. Nada conseguiria chamar a atenção das 600 pessoas que lotaram a quadra da Fama além do fascínio que a dança transmitia - O Yaônilé entrava no palco.

Em seguida as entidades das águas foram saudadas com a dança dos pescadores em reverência aos marujos e marinheiros; as baianas e seus balaios de presentes dedicados à força dos oceanos - a Rainha Iemanjá interpretada pela bailarina Inês Reis. Em sua dança, o equilíbrio entre serenidade e força, as águas que acalmam, as águas que destroem. Com a entrada de Oxum, o público chorou.

Laiz Vieira desfilou o Ijexá cadenciado da Senhora das águas doces trazendo lágrimas aos olhos dos presentes. A nobreza da entidade representada pela delicadeza dos movimentos singelos e compassados foi sentida até mesmo pelos companheiros de dança que também se renderam às lágrimas. 

Oyá encerrou a apresentação. A mudança no astral do público foi imediata quando o bailarino Geslei Leite soltou o Ilá da Rainha dos Ventos e preencheu o espaço com o Aguerê de Iansã. Movimentos rápidos, certeiros, giros praticamente impossíveis, beleza incomparável. Força, resistência, autonomia, bravura! O Movimento do Fogo, Pedreiras e Tempestades havia começado. O espaço foi preenchido pelo restante do grupo e o axé se espalhou. Na marca dos 40 minutos de apresentação, quando o Yaônilé cravou o último movimento da coreografia, foi a vez da platéia levantar-se e aplaudir calorosamente o espetáculo que haviam presenciado. 

As palmas que pontuaram vários momentos da apresentação foram o atestado de que nossa mensagem havia sido transmitida - o público viu, ouviu e entendeu. Seguiram-se manifestações de carinho, declarações de encantamento, elogios, elogios, elogios. Autoridades como Joaquim Machado, diretor da Fama, e Fernando Lins, Sociólogo e Ex-reitor da UFS, diretores acadêmicos, além de alunos, professores, coordenadores. O Yaônilé recebeu a todos, tirando fotos, conversando, interagindo. 

Além de tudo e como forma de agradecimento a Faculdade Amadeus disponibilizou 100% de isenção da taxa de inscrição do vestibular 2011 para os nossos integrantes.

Trabalho bem feito se faz assim. É com seriedade e amor de verdade que vamos ocupando um espaço que desde sempre nasceu para ser nosso.

Em breve, fotos oficiais.

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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O Yaônilé te quer mais perto!

O advento das novas tecnologias digitais trouxe melhorias na qualidade da informação (que cada vez é mais rápida e segura), além de ter sedimentado definitivamente a importância das redes sociais virtuais. É possível ser visto, ouvido, comentado e criar vínculos com pessoas de todo o mundo, especialistas nas mais diversas áreas, sem sair de casa. Acontece que o número de possibilidades é tão grande que muita informação acaba não atingindo seu objetivo que é manter uma relação dinâmica com o interlocutor.

Pensando em facilitar o processo de divulgação dos nossos perfis sociais bem como dos nossos canais de relacionamento é que o Yaônilé os agrupou através do meadiciona.com. Clicando na imagem abaixo você será conduzido a uma página personalizada contendo todos os links e perfis oficiais do Yaônilé acessíveis a um só clique.


Seu contato conosco tornou-se mais rápido e fácil. Faça-o! Conheçam-nos, aproximem-se! Queremos você mais perto!

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domingo, 10 de outubro de 2010

Yaônilé em Imagens #3 - Dia da Livre Iniciativa

A gente prometeu, lembra?












Quer ver mais? Acesse nosso perfil no Orkut ou Flickr.

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Eleições 2010 - Comentários [Dez] Interessados

Não que eu queira fazer apologia a algum candidato, coligação ou representação partidária. Não, não faz meu feitio. Muito menos usar este espaço para propaganda favorável ou contrária à ideologia "política-fictícia" que se vê país afora. Meu nome é Danilo Aguiar e assino este texto como uma crítica à falta de informação da candidata à presidência pelo Partido dos Trabalhadores, Dilma Rousseff. Trata-se de debate de fatos, não confronto.

Pra começar, assistam o vídeo:


A Dilma afirma que o "nosso país" nunca registrou um conflito religioso. Teoricamente, a candidata está certa. No entanto, a realidade prática da afirmação é bem mais contraditória quando não alarmante. O que dizer do conflito silencioso e velado que as outras religiões praticam em demérito do candomblé? Falo do candomblé especificamente por ser ela uma religião de coabitação das outras de matrizes africanas e afro-brasileiras e talvez, a que mais é vítima do preconceito e da intolerância religiosa. Afirmo isso baseado em fatos presenciados, além do conhecimento empírico arregimentado de experiências sofridas por irmãos da religião, casas de culto e, principalmente, pelo legado de dor e terror que a herança escravista dos nossos antepassados nos deixou.

Conflito, sim. Claro, óbvio, evidenciado em cada olhar de reprovação, de condenação, olhares de vilipêndio. Nosso conflito é fruto de um preconceito dissimulado, vivido cotidianamente por quem deseja apenas professar sua religião sem ser menosprezado por isso. Menosprezo que existe e, falando em pessoas não em números, não tem prazo de validade.

Dilma continua: ..."querer criar contradição religiosa onde não tem é querer criar um clima de divisão no país." Em que país a Dilma mora? Afirmar que pelas ruas, ladeiras e vielas deste tão rico e cultural país que é o Brasil, onde eu moro e conheço por relação visceral, não existe contradição religiosa é o mesmo que visitar uma Cuba capitalista. Isso não honra a nossa democracia? Pra quem experimentou os terrores da ditadura, a palavra acompanhada do sentimento democrático deveriam exercer um significado mais abrangente e mais condizente com a realidade. Democracia neste país se aplica a setores bastante reservados, inacessíveis à grande massa, diga-se de passagem, principalmente no tangente às questões afro-religiosas que ainda não tiveram o prazer de degustar tal manjar. Fome dele, sempre houve.

Que é dever do Estado fornecer meios para a livre expressão religiosa e de culto e blá, blá, blá, todos nós sabemos. Acontece que não passa de teoria. Fato! E o que falar do controle midiático exercido por grandes "impérios da fé" que fazem das igrejas palcos para shows  de TV baseados na massificação de idéias torpes construídas sob discursos preconceituosos e linguagem ofensiva - isso quando o texto chulo não recebe auxílio do visual grotesco e resulta em santa chutada, enfim...

O segundo turno das eleições é dia 31/10. Todos temos uma segunda chance. Não estou dizendo para não votar na Dilma, repito. Particularmente, acho que voto nela. Peço apenas que tenham consciência para saber cobrar uma re-artiluação do plano de governo incluindo nossas reais necessidades, conhecer o potencial de diálogo que o candidato dedica, fazer-se ouvido para valorizar o futuro que, a despeito de outros milhões de eleitores, também é meu. Eu sou brasileiro, tenho sangue negro, fé em Deus e nos Orixás e me orgulho de ter a meu favor a possibilidade de me comprometer com quem comigo se compromete.

E, a propósito: Dilma, o Brasil tem 510 anos.

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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Nanã tem um filho com Oxalufã


Nanã era considerada grande justiceira.
Qualquer problema que ocorresse,
todos a procuravam para ser a juíza das causas.
Mas sua imparcialidade era duvidosa.
Os homens temiam a justiça de Nanã,
pois se dizia que Nanã só castigava os homens
e premiava as mulheres.
Nanã tinha um jardim com um quarto para os eguns,
que eram comandados por ela.
Se alguma mulher reclamava do marido,
Nanã mandava prendê-lo.
Batia na parede chamando os eguns.
Os eguns assustavam e puniam o marido.
Só depois Nanã o libertava.

Ogum foi reclamar a Ifá sobre o que ocorria.
Segundo Exu, conhecido como bisbilhoteiro,
Nanã queria dizimar os homens.
Os orixás reunidos resolveram dar um amor para Nanã,
para que ela se acalmasse
e os deixasse em paz.
Os orixás enviaram Oxalufã nessa missão.

Chegando à casa de Nanã,
Oxalufã foi servido com ricos alimentos.
Mas o velho pediu-lhe que fizesse um suco de igbins, de caracóis.
Oxalufã, muito sábio, fez Nanã beber com ele o suco.
Nanã bebeu do omi eró, a água que acalma.
Assim Nanã foi se acalmando.
Cada dia que passava Nanã se afeiçoava mais a Oxalufã.

Pouco a pouco Nanã foi cedendo aos pedidos de Oxalá.
Mas até então Nanã não havia mostrado a ele seu jardim.
Um dia uma mulher queixosa do marido procurou Nanã,
e ela, aconselhada por Oxalufã, quis ouvir ambos os cônjuges,
não só a mulher, mas também o seu marido.

Nanã tinha se acalmado.
Mostrou de vez todo o seu reino a Oxalufã.
Mostrou também como comandava os eguns.
Oxalá observou tudo.
Um dia, quando Nanã se ausentou de casa,
Oxalá vestiu-se de mulher e foi ter com os eguns.
Com a voz mansa como a da velha,
Oxalá ordenou os eguns que dali em diante
eles atenderiam aos pedidos do homem que vivia na casa dela.

Em sua volta Nanã foi surpreendida com a afirmação de Oxalá,
que ele também mandaria nos eguns.
Mesmo contrariada, Nanã acatou o dito,
pois estava enamorada do velho,
queria ter com ele um filho.
Mas Oxalá disse a Nanã
que não poderiam ter um filho,
pois ambos tinham o mesmo sangue.
Nanã estava inconformada
e não aceitou o interdito.
Nanã preparou uma comida contendo um pó mágico
e o pó fez com que Oxalá adormecesse.
Aproveitando-se do sono de Oxalufã,
Nanã deitou-se com ele e engravidou.
Quando acordou,
Oxalá ficou muito contrariado.
Não podia mais confiar em Nanã,
pois Nanã se aproveitara do sono de Oxalá.
E Oxalá teve que abandonar Nanã.
Abandonou Nanã e foi viver com Iemanjá.

[Notas Bibliográficas e Comentários]

Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi, publicado pela Cia das Letras, págs 198 - 200. Originalmente encontrado em Monique Augras, 1983, pp. 136-7.

Egum [Égún] - antepassado, espírito de morto, o mesmo que egungunm; alguns orixás são eguns divinizados.
Igbim [Ígbin] - caracol catassol; animal predileto de Oxalá.
Omi Eró [Omi èró] - literalmente, água que acalma; abô de folhas suaves; também "sangue" de caracol.

Axé a todos os nossos irmãos!
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Oxum Apará tem inveja de Oyá


Vivia Oxum no palácio em Ijimu.
Passava os dias no seu quarto olhando seus espelhos.
Eram conchas polidas
onde apreciava sua imagem bela.
Um dia saiu Oxum do quarto e deixou a porta aberta.
Sua irmã Oiá entrou no aposento,
extasiou-se com aquele mundo de espelhos,
viu-se neles.
As conchas fizeram espantosa revelação a Oiá.
Ela era linda! A mais bela!
A mais bonita de todas as mulheres!
Oiá descobriu sua beleza nos espelhos de Oxum.
Oiá se encantou, mas também se assustou:
era ela mais bonita que Oxum, a Bela.
Tão feliz ficou que contou do seu achado
a todo mundo.

E Oxum Apará remoeu amarga inveja,
já não era a mais bonita das mulheres.
Vingou-se.
Um dia foi à casa de Egungum e lhe roubou o espelho,
o espelho que só mostra a morte,
a imagem horrível de tudo o que é feio.
Pôs o espelho do Espectro no quarto de Oiá e esperou.
Oiá entrou no quarto, deu-se conta do objeto.
Oxum trancou Oiá pelo lado de fora.
Oiá olhou no espelho e se desesperou.
Tentou fugir, impossível.
Estava presa com sua terrível imagem.
Correu pelo quarto em desespero.
Atirou-se no chão.
Bateu com a cabeça nas paredes.
Não logrou escapar nem do quarto
nem da visão tenebrosa da feiúra.
Oiá enlouqueceu.
Oiá deixou este mundo.

Obatalá, que a tudo assistia, repreendeu Apará
e transformou Oiá em orixá.
Decidiu que a imagem de Oiá nunca seria esquecida por Oxum.
Obatalá condenou Apará a se vestir para sempre
com as cores usadas por Oiá,
levando nas jóias e nas armas de guerreira
o mesmo metal empregado pela irmã.

[Notas Bibliográficas e Comentários]

Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás, de Reginaldo Prandi, publicado pela Cia das Letras, págs 323-5. Originalmente encontrado em Reginaldo Prandi, pesquisa de campo, São Paulo, 1997. Nos candomblés, Oxum Apará usa roupas cor-de-rosa, com ferramentas feitas de latão, que são atributos de Oiá.

Egungum | Egum [Égún] - antepassado, espírito de morto, o mesmo que egungunm; alguns orixás são eguns divinizados.

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Olorum Colofé!

Iemanjá foge de Oquerê e corre para o mar


Iemanjá foi mãe de dez filhos,
fruto de seu casamento com Olofim-Odudua.
Cansada da vida em Ifé, Iemanjá partiu para o Oeste.
Iemanjá assim chegou a Abeocutá.
Lá conheceu Oquerê, rei de Xaci.
Conheceu Oque-rê, Oquê.
Oquê, encantado com a sua beleza, propôs-lhe casamento.
Ela concordou, desde que ele nunca fizesse alusão a seus seios,
seios que eram grandes, fartos, volumosos.
Porque Iemanjá havia amamentado muitos filhos.
Em troca, Iemanjá nunca falaria dos defeitos de Oquerê.
Não falaria de seus testículos exuberantes,
de sua mania de beber demais,
nem entraria em seus aposentos pessoais.
Esses eram os tabus de Iemanjá e Oquerê.

Um dia, Oquerê voltou para casa embriagado,
tropeçou em Iemanjá, vomitou no chão da sala.
Iemanjá o reprimiu, chamando-o de bêbado.
Chamou-o de imprestável.
Oquerê perdeu o domínio das palavras.
Ficou enfurecido.
Oquerê ofendeu Iemanjá,
fazendo comentários grosseiros sobre os imensos seios dela.
Iemanjá lembrou-o dos defeitos dele,
como ele bebia, como tinha exagerada a genitália.
Entrou no quarto dele e apontou a confusão que lá reinava.
Não havia mais reconciliação possível.
Todos os tabus estavam quebrados.
Oquê quis surrar Iemanjá
e ela fugiu.

Iemanjá saiu em fuga para a casa de sua mãe Olocum.
Iemanjá tinha um presente que ganhara dela,
uma garrafa com uma poção mágica, que levou consigo.
Na fuga, Iemanjá derrubou a garrafa e dela nasceu um rio,
que levaria Iemanjá ao mar, a casa de sua mãe.
Assim Iemanjá iniciou seu curso em direção ao mar.
Mas Oquerê, que a perseguia, tentou impedi-la de abandoná-lo.
Transformou-se ele próprio numa altíssima montanha,
que impedia o curso de Iemanjá em direção ao mar.
Oquerê transformou-se em Oquê, a montanha,
para impedir que Iemanjá, o rio, corresse para o mar.
Iemanjá chamou em seu auxílio Xangô, seu filho poderoso.
Xangô pediu oferendas e no dia seguinte provocou a chuva.
E quando a tempestade era forte, Xangô lançou um raio,
que num estrondo dividiu o monte Oquê em dois,
formando um vale profundo para a passagem de sua mãe, o rio.
Livre, Iemanjá seguiu para a casa da mãe dela, o mar.
Assim Iemanjá Ataramabá foi aconchegar-se no colo de Olocum.

[Notas Bibliográficas e Comentários]

Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi publicado pela Cia das Letras, págs 383-5. Originalmente encontrado em William Bascom, 1980, pp. 45-6, 489-93; Pierre Verger, 1981 (a), p. 190; Verger, 1981 (b), pp. 59-63; Verger, 1985, pp. 50-2; Agenor Miranda Rocha, 1994, pp. 83-4. variantes deste mito dizem que Iemanjá teria entrado num quarto proibido do palácio de Oquerê, buscando comida para seus hóspedes, e que seu marido teria então ridicularizado os fartos seios da esposa. Iemanjá replicara fazendo alusão aos enormes dentes de Oquerê e, noutra variada, fazendo pouco de seus desproporcionais testículos. Mito mito parecido ao de Otim. Noutra versão, o marido é Ogum (Ulli Beier, 1980, pp. 45-6). Em muitos candomblés, a Iemanjá aqui descrita corresponde à qualidade Ataramabá.

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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Foi assim que começou.

Muitas pessoas perguntam como o Yaônilé começou. Pois bem, foi no dia 08 de dezembro de 2009 que, sob as bençãos de Oxum, o Yaônilé apresentou-se como grupo formado. Fomos responsáveis pelo desfile das Ayabás à frente do Cortejo que trazia todo o povo de santo e a imagem da Padroeira de Aracaju durante a 27ª Lavagem da Conceição. O percurso foi marcado pela fé e pelo amor à Deusa das Águas Doces e, debaixo da proteção dela, nos constituímos como Família Yaônilé. 

Dia 08 de Dezembro de 2010 estaremos novamente formando a Comissão que vem à frente do Cortejo e, para esse ano, com o doce sabor do primeiro aniversário.

Confiram as fotos da participação do Yaônilé na 27ª Lavagem da Conceição e também a matéria produzida e veiculada pela TV Sergipe em 08/12/2009.












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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Rodrigo Oliveira: Arte baseada na Fé

Foi com bastante alegria que recebemos esse material que já comove pela proposta. É muito comum termos acesso aos mais variados trabalhos - principalmente de jovens que expressam sua arte pelo desenho - mas, raríssimamente (com exceção de jovens e adolescentes de comunidades candomblecistas), percebe-se o interesse de tais artistas para as expressões afro-brasileiras e africanas. É por isso que destacamos aqui a leveza e a sobriedade dos traços do estudante Rodrigo Oliveira, um exemplo a ser seguido por todos aqueles que desejam oxigenar a discussão sobre o racismo, o preconceito e a intolerância religiosa, recriando conceitos e transformando a esfera social na qual está inserido.




As imagens representam três divindades do Panteão Africano (Iemanjá, Iansã e Logum Edé) e fazem parte de uma coleção que deve apresentar os orixás mais cultuados no Brasil. A apresentação do artista (exclusiva para este blog) fica por conta da amiga pessoal e admiradora do trabalho de Rodrigo, Cecília Andrade:

"Rodrigo Oliveira, 17 anos, aracajuano; é um ótimo desenhista, apesar de não usar nenhuma técnica profissional. É fascinado pela história dos Orixás e da cultura africana e, segundo o próprio, "o objetivo da criação desse singelo trabalho é, além de apresentar a estética das Divindades africanas, o de disseminar a cultura afro-brasileira. O Yaônilé desempenha essas atividades com afinco, fato que contribuiu para a escolha do mesmo como ferramenta divulgadora." Atualmente cursa o último ano do Ensino Médio no Colégio Estadual Atheneu Sergipense e aspira cursar Administração e Direito, respectivamente."


Agradecemos a oportunidade de podermos publicar estas imagens que são mais que puros desenhos. São a garantia de que a história dos orixás nunca será perdida enquanto existirem pessoas que encontrem nelas a inspiração necessária para seguir.

Lembramos que as imagens são protegidas por direitos autorais segundo Art. 5º, §§ 27 e 28 da Constituição Federal, bem como pela Lei n.º 9.610/98. Seu uso comercial e indiscriminado é proibido. Para adquirir licença de uso e saber mais sobre Rodrigo Oliveira visite seu perfil no Orkut.

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