Mostrando postagens com marcador dança dos orixás. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dança dos orixás. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

3 meses em 1 post!

Desafio difícil! Tanto nos aconteceu nos últimos três meses que até mesmo o tempo de atualizar nosso blog ficou escasso. Vale a dica de nos acompanhar também nas outras redes, pra nunca ficar sem notícias nossas. 

Mas vamos tentar resumir o que rolou com o Yaônilé de outubro pra cá? Vamos lá!

Em outubro recebemos um convite pra lá de especial. Através do nosso amigo Erich Steffen, do Orixás Art Hotel, fomos convidados pela AHTRA – Associação dos Hotéis e Pousadas do Trairi, para participar da sexta edição do Festival das Algas, no Ceará. Olha o convite aí:


Em posse do convite, nos inscrevemos no Edital de Intercâmbio e Difusão Cultural nº 02/2012 da Secretaria de Estado da Cultura. E fomos contemplados! :) A partir daí, a missão foi preparar as malas e o espetáculo para o Ceará sem que, no entanto, deixássemos de cumprir a nossa agenda em Sergipe que também foi extensa. Confira!

Zumbi Vive

No dia 18 de novembro o Yaônilé esteve na cidade de Santo Amaro das Brotas para, pelo segundo ano consecutivo, participar do Movimento Zumbi dos Palmares Vive!. Na ocasião, o nosso diretor, Danilo Aguiar, foi homenageado com o Troféu Zumbi Vive ao lado de outras lideranças estaduais, como o vice prefeito da capital, Silvio Santos. 



Faculdade de Sergipe

No dia 19 de novembro foi a vez da Faculdade de Sergipe receber o nosso espetáculo. Além das danças, o público pode conferir ainda uma palestra do nosso diretor sobre cultura afrobrasileira. Um bate papo descontraído que prendeu a atenção dos alunos e esclareceu dúvidas a respeito de cultura, religião e sincretismo.

Lavagem da Conceição


Pelo terceiro ano consecutivo, o Yaônilé desfilou à frente do Cortejo da Lavagem da Conceição que, este ano, chegou à sua 29ª edição. Fé e devoção que levaram milhares de fiéis à Colina do Santo Antônio para, ao som do Grupo Popular Afoxé Dipreto, desfiar o afoxé de mamãe Oxum até a entrada da Catedral Metropolitana de Aracaju. Até mesmo o Governador do Estado de Sergipe, Marcelo Déda, não se conteve aos encantos da nossa Oxum e posou para esta foto:



Afoxé Akueran – Orla de Atalaia


Menos de 5 horas depois e o Yaônilé estava de volta à avenida. Com o Afoxé Akueran, o Yaônilé desfilou pela Orla de Atalaia saudando os Orixás e cantando para Oxum, a doce Rainha das Águas. Ao som das vozes de Fernando Kassideran, Pierre Odé Ofaguerangi, Michel e Emerson, o cortejo arrastou uma multidão até os arcos da Atalaia. Confira através das fotos de Victor Ribeiro.


E, de lá, o Yaônilé embarcou para o Ceará. Essa aventura você confere em nosso próximo post!

domingo, 22 de maio de 2011

Yaônilé brilha na V Semana Sergipana de Dança!

As manifestações culturais afrobrasileiras tem um sabor único. Tem o cheiro da África em solo brasileiro, a face brasileira de um diamante africano. As danças dos orixás, sutis ou bravos em sua essência, conduzem o pensamento a um outro nível de realidade onde o som dos atabaques ditam o movimento, agogô e xequerê cadenciam os passos.

Depois de muita expectativa, nesta última sexta, 20, o Yaônilé esteve no foyer do Teatro Tobias Barreto para transpor as barreiras da contemporaneidade e apresentar este cenário de magia e mistério presente na religiosidade afrobrasileira. E o fez com louvor!

Os calorosos aplausos recebidos comprovam que estamos no caminho certo. E nessa trajetória, nenhum obstáculo será intransponível para quem conta, acima de tudo, com a benção de Deus e o axé dos orixás!

Uma pitada do que rolou por lá você confere nas fotos abaixo, feitas pela fotógrafa Fabiana Costa da SECULT:






Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Yaônilé em Imagens #4 - Faculdade Amadeus

O público da Faculdade Amadeus se rendeu ao Yaônilé. Veja aí o porquê.











Confiram o álbum da apresentação no Flickr e também no Orkut.


Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Platéia da Fama se rende ao Yaônilé!

Uma noite mágica! Assim pode ser descrita a noite de ontem na Faculdade Amadeus onde, durante 40 minutos, o público assistiu encantado a apresentação do Yaônilé. 

A abertura oficial da 8ª edição do Café Filosófico foi marcada pela benção das Yabás, o brilho, o encanto e o misticismo das Rainhas do Panteão Africano. Saudando a todos a partir da saída do camarim, a bailarina Monaliza Viviane jincou para interpretar Nanã, a velha divindade dos lagos e pântanos. O silêncio instaurou-se imediatamente. Nada conseguiria chamar a atenção das 600 pessoas que lotaram a quadra da Fama além do fascínio que a dança transmitia - O Yaônilé entrava no palco.

Em seguida as entidades das águas foram saudadas com a dança dos pescadores em reverência aos marujos e marinheiros; as baianas e seus balaios de presentes dedicados à força dos oceanos - a Rainha Iemanjá interpretada pela bailarina Inês Reis. Em sua dança, o equilíbrio entre serenidade e força, as águas que acalmam, as águas que destroem. Com a entrada de Oxum, o público chorou.

Laiz Vieira desfilou o Ijexá cadenciado da Senhora das águas doces trazendo lágrimas aos olhos dos presentes. A nobreza da entidade representada pela delicadeza dos movimentos singelos e compassados foi sentida até mesmo pelos companheiros de dança que também se renderam às lágrimas. 

Oyá encerrou a apresentação. A mudança no astral do público foi imediata quando o bailarino Geslei Leite soltou o Ilá da Rainha dos Ventos e preencheu o espaço com o Aguerê de Iansã. Movimentos rápidos, certeiros, giros praticamente impossíveis, beleza incomparável. Força, resistência, autonomia, bravura! O Movimento do Fogo, Pedreiras e Tempestades havia começado. O espaço foi preenchido pelo restante do grupo e o axé se espalhou. Na marca dos 40 minutos de apresentação, quando o Yaônilé cravou o último movimento da coreografia, foi a vez da platéia levantar-se e aplaudir calorosamente o espetáculo que haviam presenciado. 

As palmas que pontuaram vários momentos da apresentação foram o atestado de que nossa mensagem havia sido transmitida - o público viu, ouviu e entendeu. Seguiram-se manifestações de carinho, declarações de encantamento, elogios, elogios, elogios. Autoridades como Joaquim Machado, diretor da Fama, e Fernando Lins, Sociólogo e Ex-reitor da UFS, diretores acadêmicos, além de alunos, professores, coordenadores. O Yaônilé recebeu a todos, tirando fotos, conversando, interagindo. 

Além de tudo e como forma de agradecimento a Faculdade Amadeus disponibilizou 100% de isenção da taxa de inscrição do vestibular 2011 para os nossos integrantes.

Trabalho bem feito se faz assim. É com seriedade e amor de verdade que vamos ocupando um espaço que desde sempre nasceu para ser nosso.

Em breve, fotos oficiais.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Nanã tem um filho com Oxalufã


Nanã era considerada grande justiceira.
Qualquer problema que ocorresse,
todos a procuravam para ser a juíza das causas.
Mas sua imparcialidade era duvidosa.
Os homens temiam a justiça de Nanã,
pois se dizia que Nanã só castigava os homens
e premiava as mulheres.
Nanã tinha um jardim com um quarto para os eguns,
que eram comandados por ela.
Se alguma mulher reclamava do marido,
Nanã mandava prendê-lo.
Batia na parede chamando os eguns.
Os eguns assustavam e puniam o marido.
Só depois Nanã o libertava.

Ogum foi reclamar a Ifá sobre o que ocorria.
Segundo Exu, conhecido como bisbilhoteiro,
Nanã queria dizimar os homens.
Os orixás reunidos resolveram dar um amor para Nanã,
para que ela se acalmasse
e os deixasse em paz.
Os orixás enviaram Oxalufã nessa missão.

Chegando à casa de Nanã,
Oxalufã foi servido com ricos alimentos.
Mas o velho pediu-lhe que fizesse um suco de igbins, de caracóis.
Oxalufã, muito sábio, fez Nanã beber com ele o suco.
Nanã bebeu do omi eró, a água que acalma.
Assim Nanã foi se acalmando.
Cada dia que passava Nanã se afeiçoava mais a Oxalufã.

Pouco a pouco Nanã foi cedendo aos pedidos de Oxalá.
Mas até então Nanã não havia mostrado a ele seu jardim.
Um dia uma mulher queixosa do marido procurou Nanã,
e ela, aconselhada por Oxalufã, quis ouvir ambos os cônjuges,
não só a mulher, mas também o seu marido.

Nanã tinha se acalmado.
Mostrou de vez todo o seu reino a Oxalufã.
Mostrou também como comandava os eguns.
Oxalá observou tudo.
Um dia, quando Nanã se ausentou de casa,
Oxalá vestiu-se de mulher e foi ter com os eguns.
Com a voz mansa como a da velha,
Oxalá ordenou os eguns que dali em diante
eles atenderiam aos pedidos do homem que vivia na casa dela.

Em sua volta Nanã foi surpreendida com a afirmação de Oxalá,
que ele também mandaria nos eguns.
Mesmo contrariada, Nanã acatou o dito,
pois estava enamorada do velho,
queria ter com ele um filho.
Mas Oxalá disse a Nanã
que não poderiam ter um filho,
pois ambos tinham o mesmo sangue.
Nanã estava inconformada
e não aceitou o interdito.
Nanã preparou uma comida contendo um pó mágico
e o pó fez com que Oxalá adormecesse.
Aproveitando-se do sono de Oxalufã,
Nanã deitou-se com ele e engravidou.
Quando acordou,
Oxalá ficou muito contrariado.
Não podia mais confiar em Nanã,
pois Nanã se aproveitara do sono de Oxalá.
E Oxalá teve que abandonar Nanã.
Abandonou Nanã e foi viver com Iemanjá.

[Notas Bibliográficas e Comentários]

Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi, publicado pela Cia das Letras, págs 198 - 200. Originalmente encontrado em Monique Augras, 1983, pp. 136-7.

Egum [Égún] - antepassado, espírito de morto, o mesmo que egungunm; alguns orixás são eguns divinizados.
Igbim [Ígbin] - caracol catassol; animal predileto de Oxalá.
Omi Eró [Omi èró] - literalmente, água que acalma; abô de folhas suaves; também "sangue" de caracol.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

Oxum Apará tem inveja de Oyá


Vivia Oxum no palácio em Ijimu.
Passava os dias no seu quarto olhando seus espelhos.
Eram conchas polidas
onde apreciava sua imagem bela.
Um dia saiu Oxum do quarto e deixou a porta aberta.
Sua irmã Oiá entrou no aposento,
extasiou-se com aquele mundo de espelhos,
viu-se neles.
As conchas fizeram espantosa revelação a Oiá.
Ela era linda! A mais bela!
A mais bonita de todas as mulheres!
Oiá descobriu sua beleza nos espelhos de Oxum.
Oiá se encantou, mas também se assustou:
era ela mais bonita que Oxum, a Bela.
Tão feliz ficou que contou do seu achado
a todo mundo.

E Oxum Apará remoeu amarga inveja,
já não era a mais bonita das mulheres.
Vingou-se.
Um dia foi à casa de Egungum e lhe roubou o espelho,
o espelho que só mostra a morte,
a imagem horrível de tudo o que é feio.
Pôs o espelho do Espectro no quarto de Oiá e esperou.
Oiá entrou no quarto, deu-se conta do objeto.
Oxum trancou Oiá pelo lado de fora.
Oiá olhou no espelho e se desesperou.
Tentou fugir, impossível.
Estava presa com sua terrível imagem.
Correu pelo quarto em desespero.
Atirou-se no chão.
Bateu com a cabeça nas paredes.
Não logrou escapar nem do quarto
nem da visão tenebrosa da feiúra.
Oiá enlouqueceu.
Oiá deixou este mundo.

Obatalá, que a tudo assistia, repreendeu Apará
e transformou Oiá em orixá.
Decidiu que a imagem de Oiá nunca seria esquecida por Oxum.
Obatalá condenou Apará a se vestir para sempre
com as cores usadas por Oiá,
levando nas jóias e nas armas de guerreira
o mesmo metal empregado pela irmã.

[Notas Bibliográficas e Comentários]

Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás, de Reginaldo Prandi, publicado pela Cia das Letras, págs 323-5. Originalmente encontrado em Reginaldo Prandi, pesquisa de campo, São Paulo, 1997. Nos candomblés, Oxum Apará usa roupas cor-de-rosa, com ferramentas feitas de latão, que são atributos de Oiá.

Egungum | Egum [Égún] - antepassado, espírito de morto, o mesmo que egungunm; alguns orixás são eguns divinizados.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Salgueiro, um samba vermelho e branco!

Uma das mais fortes expressões brasileiras de alegria é também uma das maiores referências de fé e luta - O carnaval das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. A mobilização popular dos moradores dos morros cariocas e o empenho das diversas comunidades que compõem as agremiações são as ferramentas necessárias para o brilho dos desfiles que colorem em tons vivos a Marquês de Sapucaí, palco da festa. 

Créditos
A ligação dos morros com a religiosidade afro-brasileira é algo indiscutível até mesmo pelo processo histórico de ocupação desses locais. E tal religiosidade acabou sendo incorporada aos fundamentos e à própria história de cada uma das agremiações que não se envergonham de levantar as bandeiras da fé às entidades e do amor ao samba. As letras dos sambas-enredo quase sempre são carregadas de saudações aos orixás quando não falam abertamente sobre suas histórias.

Já no nordeste, seguindo a linha dos blocos carnavalescos, aparecem os Afoxés - Candomblés de rua. São ainda mais antigos que as agremiações cariocas e como o próprio nome sugere, desfilam com respeito e devoção a religiosidade do candomblé.

Como forma de disseminação da cultura e pluralização de conhecimento é que o Yaônilé divulgará até março de 2011 os perfis de algumas das grandes Escolas de Samba do Rio bem como dos Afoxés espalhados pelo Nordeste que, através de muita garra e coragem, elevam a dignidade do povo-de-santo ao reafirmar a seriedade das nossas crenças. Inaugurando a nossa série trazemos o perfil do G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro - uma das mais antigas agremiações do Rio de Janeiro.


Década de 50. Com o enredo "Uma Romaria à Bahia" o Salgueiro realiza seu primeiro desfile e surpreendentemente leva o 3º lugar já em sua estréia. De lá pra cá são mais de 60 anos de história de vitórias e também de derrotas. Uma vida de dedicação ao samba sempre afinado da bateria, a exuberância das alegorias e dos figurinos e também dos sambas-enredos. Uma história de fé: "A diversidade religiosa do Salgueiro permite que este abrigue um padroeiro e protetor: Xangô, orixá do Candomblé, também de cores vermelho e branco e também reverenciado no dia 20 de janeiro, quando, à noite, diante dos pegis e dos gongás, o senhor das pedreiras recebe as homenagens de seus afilhados do Salgueiro". 

O Salgueiro desenvolve diversos eventos como a tradicional "Feijoada do Salgueiro" que acontece todo segundo domingo do mês e também é idealizador da Escola Mirim que ensina crianças do morro a arte e o ofício de ser feliz através do samba.

Para 2011 ainda não há um samba enredo definido e a concorrência é acirrada. Nosso correspondente no Rio de Janeiro, Rodrigo Jesus, Salgueirense de carteirinha, esteve na quadra da escola na noite de sábado (02) e manifesta sua opinião sobre a escolha do samba representante para o Desfile do carnaval 2011 cujo tema é 'O Rio e o Cinema': "O Salgueiro vem com força, se nosso samba ganha, fica mais forte ainda. Este já tá na boca do povo, é ótimo pra cantar", conclui. 


Você pode conhecer e fazer o Download do Samba-enredo favorito de Rodrigo clicando aqui. Ouça também os concorrentes.

Para saber mais sobre a história do G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro, acesse o Site Oficial.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

Rodrigo Oliveira: Arte baseada na Fé

Foi com bastante alegria que recebemos esse material que já comove pela proposta. É muito comum termos acesso aos mais variados trabalhos - principalmente de jovens que expressam sua arte pelo desenho - mas, raríssimamente (com exceção de jovens e adolescentes de comunidades candomblecistas), percebe-se o interesse de tais artistas para as expressões afro-brasileiras e africanas. É por isso que destacamos aqui a leveza e a sobriedade dos traços do estudante Rodrigo Oliveira, um exemplo a ser seguido por todos aqueles que desejam oxigenar a discussão sobre o racismo, o preconceito e a intolerância religiosa, recriando conceitos e transformando a esfera social na qual está inserido.




As imagens representam três divindades do Panteão Africano (Iemanjá, Iansã e Logum Edé) e fazem parte de uma coleção que deve apresentar os orixás mais cultuados no Brasil. A apresentação do artista (exclusiva para este blog) fica por conta da amiga pessoal e admiradora do trabalho de Rodrigo, Cecília Andrade:

"Rodrigo Oliveira, 17 anos, aracajuano; é um ótimo desenhista, apesar de não usar nenhuma técnica profissional. É fascinado pela história dos Orixás e da cultura africana e, segundo o próprio, "o objetivo da criação desse singelo trabalho é, além de apresentar a estética das Divindades africanas, o de disseminar a cultura afro-brasileira. O Yaônilé desempenha essas atividades com afinco, fato que contribuiu para a escolha do mesmo como ferramenta divulgadora." Atualmente cursa o último ano do Ensino Médio no Colégio Estadual Atheneu Sergipense e aspira cursar Administração e Direito, respectivamente."


Agradecemos a oportunidade de podermos publicar estas imagens que são mais que puros desenhos. São a garantia de que a história dos orixás nunca será perdida enquanto existirem pessoas que encontrem nelas a inspiração necessária para seguir.

Lembramos que as imagens são protegidas por direitos autorais segundo Art. 5º, §§ 27 e 28 da Constituição Federal, bem como pela Lei n.º 9.610/98. Seu uso comercial e indiscriminado é proibido. Para adquirir licença de uso e saber mais sobre Rodrigo Oliveira visite seu perfil no Orkut.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Oxaguiã manda libertar o amigo preso injustamente



O filho de Oxalufã tornou-se um guerreiro forte
e decidiu um dia conquistar um reino para si.
Partiu em companhia de seu amigo Auoledjê.
Conquistou Ejigbô, tornando-se seu rei, Elejigbô.
O rei tinha uma grande paixão, comer inhame pilado.
E comia com gula, tanto que o chamavam Oxaguiã,
que quer dizer "Oxalá-Comedor-de-Inhame-Pilado".

Um dia Auoledjê, que era um grande babalaô,
precisou partir de Ejigbô.
Antes disso, aconselhou Oxaguiã
que fizesse oferendas,
que tornariam o reino próspero.
Assim, como previa Auoledjê,
Ejigbô tornou-se uma grande cidade,
rica e bem guardada pelos bravos soldados de Oxaguiã.
O rei Elejigbô vivia em fausto entre os súditos,
por quem era chamado de "Kabiyesi",
que é o mesmo que Sua Majestade.
Na intimidade os amigos o chamavam de "Comedor-de-Inhame-Pilado",
mas em público isso era uma heresia.

Anos mais tarde, Auoledjê retornou a Ejigbô.
Ao adentrar a cidade, procurou logo por Oxaguiã.
"Onde está o Comedor-de-Inhame-Pilado?", perguntou.
Os soldados, que não o conheciam,
ficaram furiosos com tamanha insolência.
Isso era jeito de se referir ao rei?
Prenderam e maltrataram o desconhecido amigo de Kabiyesi.
Auoledjê ressentiu-se da humilhação.
Com seus poderes mágicos, vingou-se.
durante sete anos todas as catástrofes conhecidas,
e não faltando a seca, assolaram o reino de Oxaguiã.

Oxaguiã, desesperado, procurou os adivinhos.
E pelo oráculo eles viram a prisão de Auodjelê.
Um amigo do rei estava preso injustamente.
Oxaguiã correu para a prisão para libertar o velho amigo.
Oxaguiã libertou-o,
mas o amigo, ainda ressentido, escondeu-se na mata.
Elejigbô buscou o velho amigo, suplicando seu perdão.
Auodjelê cedeu com uma condição:
que nunca aquele povo se esquecesse dessa injustiça.
Todos os anos o povo deveria flagelar-se,
em memória do funesto acontecido.
Assim, todos os anos,
o rei deveria mandar muitas pessoas à floresta cortar varetas.
os súditos, divididos em dois grupos, tomariam as varas,
simulariam golpes uns nos outros, sem parar,
até que as varetas se quebrassem.
Para que nunca se esquecessem daquela injustiça
praticada contra o amigo de Oxaguiã.
Assim foi feito e o reino de Oxaguiã voltou à tranqüilidade
e Oxaguiã foi o maior dos reis de Ejigbô.
Quando ele foi para o Orum, transformado em orixá,
seu culto não se esqueceu do velho amigo babalaô.
Com as varetas de Oxaguiã, com os atoris,
seus adeptos renovam sempre a memória da injustiça,
para que ela não volte a acontecer.


[Notas Bibliográficas e Comentários]


Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás de Peginaldo Prandi, publicado pela Cia das letras, págs 491-2. Originalmente encontrado e/ou transcrito de Pierre Verger, 1981 (b), pp. 64-8; Verger, 1985, pp. 65-7. No Brasil e em Cuba, Oxaguiã é cultuado como qualidade de Oxalá-Orixalá. É dito Oxalá Jovem no Brasil e O Velho em Cuba. Na África é uma divindade independente. Na África, até hoje, todos os anos no final da estação da seca habitantes de dois bairros de Ejigbô reúnem-se e batem-se com varetas durante todo um dia, a fim de representar sua súplica para que a chuva retorne. Nos candomblés, tal costume é reproduzido no ciclo de festas em homenagem a Oxalá ( as Águas-de-Oxalá), especialmente na parte reservada a Oxaguiã (o Pilão de Oxaguiã), quando os devotos do terreiro se dividem em dois grupos que se batem com as varetas (atori), em rito de expiação.


Atori [àtòrì] - Vareta usada para flagelação em cerimônia a Oxaguiã; representa os ancestrais; vara da árvore africana Glyphaea lateriflora.


Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

Oxumarê transforma-se em cobra para escapar de Xangô!



Oxumarê era um rapaz muito bonito e invejado.
Suas roupas tinham todas as cores do arco-íris
e suas jóias de outro e bronze faiscavam de longe.
Todos queriam aproximar-se de Oxumarê,
mulheres e homens, todos queriam seduzi-lo
e com ele se casar.
Mas Oxumarê era também contido e solitário.
Preferia andar sozinho pela abóbada celeste,
onde todos costumavam vê-lo em dia de chuva.

Certa vez, Xangô viu Oxumarê passar;
com todas as cores de seu traje e todo o brilho de seus metais.
Xangô conhecia a fama de Oxumarê
de não deixar ninguém dele se aproximar.
Preparou então uma armadilha para capturar o Arco-Íris.
Mandou chamá-lo para uma audiência em seu palácio
e, quando Oxumarê entrou na sala do trono,
os soldados de Xangô fecharam as portas e janelas,
aprisionando Oxumarê junto com Xangô.
Oxumarê ficou desesperado e tentou fugir,
mas todas as saídas estavam trancadas pelo lado de fora.
Xangô tentava tomar Oxumarê nos braços
e Oxumarê escapava, correndo de um canto pro outro.
Não vendo como se livrar, Oxumarê pediu ajuda a Olorum
e Olorum ouviu sua súplica.
No momento em que Xangô imobilizava Oxumarê,
Oxumarê foi transformado numa cobra,
que Xangô largou com nojo e medo.
A cobra deslizou pelo chão em movimentos rápidos e sinuosos.
Havia uma pequena fresta entre a porta e o chão da sala
e foi por ali que escapou a cobra,
foi por ali que escapou Oxumarê.
Assim livrou-se Oxumarê do assédio de Xangô.
Quando Oxumarê e Xangô foram feitos orixás,
Oxumarê foi encarregado de levar água
da Terra para o pálacio de Xangô no Orum,
mas Xangô não pode nunca aproximar-se de Oxumarê.

[Notas Bibliográficas e Comentários]

Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi, publicado pela Cia das Letras, págs 226-7. Originalmente encontrado e/ou transcrito de Reginaldo Prandi, pesquisa de campo, Rio de Janeiro, 1998. Narrado por Pai Agenor Miranda Rocha.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

Logum Edé devolve a visão a Erinlé


Logum Edé era um faceiro caçador.
Erinlé o conheceu e foram caçar juntos.
Eram filho e pai, mas um outro não sabia.
Logum Edé era muito sedutor
e Erinlé se apaixonou por ele.
Ambos caçavam mais que todo mundo;
eram os dois os maiores odés.
Logum Edé flechava todos os pássaros,
mas respeitava os pássaros das feiticeiras.
Com as Iá Mi Oxorongá tinha esse pacto
e delas guardava alguns segredos.
Levava a tiracolo o adô que ganhara das velhas bruxas,
um bornal repleto de fórmulas mágicas e mistérios.

Um dia Logum Edé se distraiu
e Erinlé matou o pássaro proibido.
As Iá Mi imediatamente se vingaram
e mandou um feitiço que cegou a ambos.
Logum Edé então abriu o adô que carregava
e retirou o mistério das Iá Mi.
Pôde com ele devolver a Erinlé
a luz do sol e o brilho das estrelas.
Cego, partiu Logum seguido por Erinlé
e acabaram chegando à lagoa
onde Oxum se banhava e lavava suas pulseiras.
Logum Edé aproximou a mãe do companheiro
e dentro d'água um amor antigo renasceu.
Dessa nova união de Erinlé e Oxum
nasceu um novo rio, o rio Inlé,
e nasceu um peixe que foi montado por Logum.
Nas águas de Inlé nadou o peixe
e levou Logum Edé para as profundezas.
Foi lá que Logum Edé conheceu Iemanjá,
que o adotou e lhe deu riquezas de seu reino.
Nas margens desse rio, ele vive, desde então, por certo tempo,
voltando a viver na mata no tempo seguinte.
Logum Edé, o caçador das matas,
ganhou assim os peixes de Iemanjá.

[Notas Bibliográficas e Comentários]
Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi publicado pela Cia das Letras, págs 138 - 9. Originalmente encontrado e/ou transcrito de Reginaldo Prandi, pesquisa de campo, São Paulo, 1997.

Adô - Pequena cabaça para carregar pólvora, embornal dos orixás caçadores. Também nome da cabaça que ewá leva na mão quando dança e que em alguns candomblés é chamada de aracolê.
Odé - Caçador; nome genérico para os orixás da caça; denominação de Oxóssi na nação nagô do xangô pernambucano e no batuque gaúcho.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!