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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Iansã é traída pelo Carneiro


Um dia Oxum e outro alguém queriam fazer mal a Iansã.
Colocaram o feitiço no bracelete de Oxum
e o puseram dentro de uma caixa
para que fosse entregue a Iansã.
Agbô, então, foi chamado para levá-lo a Iansã.
Agbô era o dono dos carneiros, dono dos agbôs.
Tudo o que corria no palácio era espalhado
por meio da língua de Agbô, o Carneiro.
mas Iansã, com sua arguta intuição,
pressentiu o que lhe vinha por meio de Agbô.
Ela, então, foi ao encontro do Carneiro
e na forma de um vento abriu a caixa
e trocou o bracelete por um pequeno pássaro.
Agbô foi um instrumento contra Iansã,
mas Iansã sentiu-se traída por ele.
Desde então Iansã odeia carneiros
e não aceita nem sequer comê-los.


[Notas Bibliográficas e Comentários]

Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi, publicado pela Cia das Letras, pág 300. Originalmente encontrado em René Ribeiro, 1978, pp. 47-9; Rita Segato, 1995, p. 405.

Agbô [agbò] – carneiro macho.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Obaluaê tem as feridas transformadas em pipoca por Iansã



Chegando de viagem à aldeia onde nascera,
Obaluaê viu que estava acontecendo
uma festa com a presença de todos os orixás.
Obaluaê não podia entrar na festa,
devido à sua medonha aparência.
Então ficou espreitando pelas frestas do terreiro.
Ogum, ao perceber a angústia do orixá,
cobriu-o com uma roupa de palha que ocultava sua cabeça
e convidou-o a entrar e aproveitar a alegria dos festejos.
Apesar de envergonhado, Obaluaê entrou,
mas ninguém se aproximava dele.
Iansã tudo acompanhava com o rabo do olho.
Ela compreendia a triste situação de Omulu
e dele se compadecia.


Iansã esperou que ele estivesse bem no meio do barracão.
O xirê estava animado.
Os orixás dançavam alegremente com suas equedes.
Iansã chegou então bem perto dele
e soprou suas roupas de mariô,
levantando as palhas que cobriam sua pestilência.
Nesse momento de encanto e ventania,
as feridas de Obaluaê pularam para o alto,
transformadas numa chuva de pipocas,
que se espalharam brancas pelo barracão.
Obaluaê, o deus das doenças, transformou-se num jovem,
num jovem belo e encantador.
Obaluaê e Iansã Igbalé tornaram-se grandes amigos
e reinaram juntos sobre o mundo dos espíritos,
partilhando o poder único de abrir e interromper
as demandas dos mortos sobre os homens.


[Notas Bibliográficas e Comentários]

Transcrito do livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi publicado pela Cia das Letras, págs 206-207. Originalmente em Rita de Cássia Amaral, pesquisa de campo, 1986, 1987. A pipoca, chamada no candomblé de “flor de Obaluaê”, é uma das comidas prediletas de Obaluaê, sendo também muito usada para fazer um tipo de festão com que se enfeita o barracão nas festas desse orixá.

Xirê – [siré]: brincar, no candomblé, ritual em que filhos e filhas-de-santo cantam e dançam numa roda para todos os orixás.

Equede – [èkejì]: literalmente, segunda (pessoa); na África, cargo sacerdotal do rei, que só estava abaixo do orixá daquela cidade, de quem se acreditava que o rei descendia diretamente; no Brasil, a iniciada no candomblé para cuidar dos orixás, vesti-los e dançar com eles.

Mariô – [màrìwò]: folha nova da palmeira de dendê.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

sábado, 11 de junho de 2011

Oxum seduz Iansã

Uma vez Oxum passou pela casa de Iansã e a viu na porta.
Ela era linda, atraente, elegante.
Oxum então pensou: “Vou me deitar com ela”.
Oxum era muito decidida e muito independente.
Oxum resolveu roubar a coroa de Iansã.
E assim, muitas e muitas vezes, passou na frente daquela casa.
Levava uma quartinha de água na cabeça,
e ia cantando, dançando, provocando.
No começo Iansã não se deu conta do assédio,
mas depois acabou por se entregar.
Mas logo Oxum se dispôs a nova conquista
e Iansã a procurou para castigá-la.
Oxum teve de fugir para dentro do rio,
lá se escondeu e lá vive até hoje.


[Notas Bibliográficas e Comentários]

Transcrito do livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi, publicado pela Cia das Letras, págs 325-326. Originalmente encontrado em Rita Segato, 1995, p. 403.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Xangô rouba Iansã de Ogum

Xangô um dia cansou-se da monotonia da corte
e partiu e busca de novas aventuras.
Chegou a Irê, onde morava Ogum, nobre guerreiro, senhor da forja.
Ogum vivia com Iansã, senhora dos ventos e das tempestades.
Xangô apreciava ver o trabalho de Ogum na forja
e sempre arriscava olhar para a mulher,
driblando a vigilância do ferreiro.
Iansã por sua vez encantava-se com o porte a nobreza de Xangô.
Um dia, fugiram e chegaram a Oió.
Lá reinava o meio-irmão de Xangô, Dadá Ajacá.
Dadá deixou que Xangô o ajudasse no comando do reino.
Nas terras de Oió, Xangô fundou Cossô, seu reino próprio,
sendo chamado Obá Cossô, rei de Cossô.
Assim, o reino de Dadá expandiu-se por força de Xangô.
Um dia Xangô destronou seu irmão.
Tornou-se o senhor absoluto e o povo aclamava:
“Kabiyesi Xangô, Alafin Oió Alayeluwa!”.
“Viva sua majestade Xangô,
dono do palácio de Oió e Senhor da Terra.”
Xangô ergueu seu palácio com esplendor,
teve mulheres e muitos filhos.
Sempre acompanhado de Iansã.
Oxum foi a segunda mulher, seguida de Obá.

[Notas Bibliográficas e Comentários]

Transcrito do livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi publicado pela Cia das Letras, págs 248-9. Originalmente retirado de Pierre Verger, 1985, p. 37-8.

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Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

Iansã proíbe Xangô de comer carneiro perto dela


Um dia Xangô passeava a cavalo.
Avistou um palácio e disse:
“Eu vou pra lá”.
Quando chegou, quis saber do porteiro quem era o dono.
“É de Oiá”, respondeu o porteiro.
E Xangô disse: “Eu quero falar com ela”.
O porteiro respondeu que era impossível.
“Mas eu quero falar com ela”, insistiu Xangô.
Então o porteiro foi até Iansã
e contou que lá fora um cavaleiro, um rei, queria vê-la.
Iansã chamou Xangô para dentro,
mas, quando ele fez referência na frente dela,
Iansã imediatamente sentiu o cheiro de carneiro.
Então Xangô perguntou se ela queria ser sua esposa.
Iansã perguntou de que lugar ele vinha
e quis saber qual era a comida que ele comia.
“Curi agbô. Carneiro”, respondeu Xangô.
“Não, eu não quero me casar contigo
porque comes isso que eu detesto.”
Mas Iansã acabou por concordar com o casamento
desde que fosse mantida uma restrição:
toda vez que ele quisesse comer carneiro,
que ele voltasse para sua terra
e por lá ficasse por três meses, antes de regressar.
Xangô aceitou a proposta e eles se casaram.
Casaram-se mas não vivem juntos.
Essa é a razão por que Oxum é concubina de Xangô.


[Notas Bibliográficas e Comentários]


Transcrito do livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi publicado pela Cia das Letras, págs 299-300. Originalmente retirado de Rita Segato, 1995, pp. 390-1.

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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Oiá transforma-se num búfalo

Oiá transforma-se num búfalo


Ogum caçava na floresta quando avistou um búfalo.
Ficou na espreita, pronto para abater a fera.
Qual foi sua surpresa ao ver que, de repente,
de sob a pele do búfalo saiu uma mulher linda.
Era Oiá. E não se deu conta de estar sendo observada.
Ela escondeu a pele de búfalo
e caminhou para o mercado da cidade.

Tendo visto tudo, Ogum aproveitou e roubou a pele.
Ogum escondeu a pele de Oiá num quarto de sua casa.
Depois foi ao mercado ao encontro da bela mulher.
Estonteado por sua beleza, Ogum cortejou Oiá.
Pediu-a em casamento.
Ela não respondeu e seguiu para a floresta.
Mas lá chegando não encontrou a pele.
Voltou ao mercado e encontrou Ogum.
Ele esperava por ela, mas fingiu nada saber.
Negou haver roubado o que quer que fosse de Iansã.
De novo, apaixonado, pediu Oiá em casamento.
Oiá, astuta, concordou em se casar
e foi viver com Ogum em sua casa,
mas fez as exigências:
ninguém na casa poderia referir-se a ela
fazendo qualquer alusão a seu lado animal.
Nem se poderia usar a casca do dendê para fazer o fogo,
nem rolar o pilão pelo chão da casa.
Ogum ouviu seus apelos e expôs aos familiares as condições
para todos conviverem em paz com sua nova esposa.
A vida no lar entrou na rotina.
Oiá teve nove filhos
e por isso era chamada Iansã, a mãe dos nove.
Mas nunca deixou de procurar a ppele do búfalo.

As outras mulheres de Ogum cada vez sentiam-se enciumadas.
Quando Ogum saía para caçar e cultivar o campo,
eles planejavam uma forma de descobrir
o segredo da origem de Iansã.
Assim, uma delas embriagou Ogum e este lhe revelou o mistério.
E na ausência de Ogum, as mulheres passam a cantarolar coisas.
Coisas que sugeriam o esconderijo da pele de Oiá
e coisas que alufiam ao seu lado animal.
Um dia, estando sozinha em casa,
Iansã procurou em cada quarto, até que encontrou sua pele.
Ela vestiu a pele e esperou que as mulheres retornassem.
E então saiu bufando, dando chifradas em todas, abrindo-lhes a barriga.
Somente seus nove filhos foram poupados.
E eles, desesperados, clamavam por sua benevolência.
O búfalo acalmou-se, os consolou e depois partiu.
Antes, porém, deixou com os filhos o seu par de chifres.
Num momento de perigo ou de necessidade,
seus filhos deveriam esfregar um dos chifres no outro.
e Iansã, estivesse onde estivesse,
viria rápida como um raio em seu socorro.


[Notas bibliográficas e Comentários]
Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi publicado pela Cia das Letras, págs 297-9. Originalmente transcrito por Pierre Verger, 1980, p.292; Verger, 1981 (a), p.161; Verger, 1981 (b), pp. 45-8; Verger, 1985, pp. 37-41; Rosamaria Susanna Barbàra, 1999, p. 62; Ulli Beier, 1980, pp. 33-34.

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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Yaônilé em Imagens #4 - Faculdade Amadeus

O público da Faculdade Amadeus se rendeu ao Yaônilé. Veja aí o porquê.











Confiram o álbum da apresentação no Flickr e também no Orkut.


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Olorum Colofé!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Platéia da Fama se rende ao Yaônilé!

Uma noite mágica! Assim pode ser descrita a noite de ontem na Faculdade Amadeus onde, durante 40 minutos, o público assistiu encantado a apresentação do Yaônilé. 

A abertura oficial da 8ª edição do Café Filosófico foi marcada pela benção das Yabás, o brilho, o encanto e o misticismo das Rainhas do Panteão Africano. Saudando a todos a partir da saída do camarim, a bailarina Monaliza Viviane jincou para interpretar Nanã, a velha divindade dos lagos e pântanos. O silêncio instaurou-se imediatamente. Nada conseguiria chamar a atenção das 600 pessoas que lotaram a quadra da Fama além do fascínio que a dança transmitia - O Yaônilé entrava no palco.

Em seguida as entidades das águas foram saudadas com a dança dos pescadores em reverência aos marujos e marinheiros; as baianas e seus balaios de presentes dedicados à força dos oceanos - a Rainha Iemanjá interpretada pela bailarina Inês Reis. Em sua dança, o equilíbrio entre serenidade e força, as águas que acalmam, as águas que destroem. Com a entrada de Oxum, o público chorou.

Laiz Vieira desfilou o Ijexá cadenciado da Senhora das águas doces trazendo lágrimas aos olhos dos presentes. A nobreza da entidade representada pela delicadeza dos movimentos singelos e compassados foi sentida até mesmo pelos companheiros de dança que também se renderam às lágrimas. 

Oyá encerrou a apresentação. A mudança no astral do público foi imediata quando o bailarino Geslei Leite soltou o Ilá da Rainha dos Ventos e preencheu o espaço com o Aguerê de Iansã. Movimentos rápidos, certeiros, giros praticamente impossíveis, beleza incomparável. Força, resistência, autonomia, bravura! O Movimento do Fogo, Pedreiras e Tempestades havia começado. O espaço foi preenchido pelo restante do grupo e o axé se espalhou. Na marca dos 40 minutos de apresentação, quando o Yaônilé cravou o último movimento da coreografia, foi a vez da platéia levantar-se e aplaudir calorosamente o espetáculo que haviam presenciado. 

As palmas que pontuaram vários momentos da apresentação foram o atestado de que nossa mensagem havia sido transmitida - o público viu, ouviu e entendeu. Seguiram-se manifestações de carinho, declarações de encantamento, elogios, elogios, elogios. Autoridades como Joaquim Machado, diretor da Fama, e Fernando Lins, Sociólogo e Ex-reitor da UFS, diretores acadêmicos, além de alunos, professores, coordenadores. O Yaônilé recebeu a todos, tirando fotos, conversando, interagindo. 

Além de tudo e como forma de agradecimento a Faculdade Amadeus disponibilizou 100% de isenção da taxa de inscrição do vestibular 2011 para os nossos integrantes.

Trabalho bem feito se faz assim. É com seriedade e amor de verdade que vamos ocupando um espaço que desde sempre nasceu para ser nosso.

Em breve, fotos oficiais.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Oxum Apará tem inveja de Oyá


Vivia Oxum no palácio em Ijimu.
Passava os dias no seu quarto olhando seus espelhos.
Eram conchas polidas
onde apreciava sua imagem bela.
Um dia saiu Oxum do quarto e deixou a porta aberta.
Sua irmã Oiá entrou no aposento,
extasiou-se com aquele mundo de espelhos,
viu-se neles.
As conchas fizeram espantosa revelação a Oiá.
Ela era linda! A mais bela!
A mais bonita de todas as mulheres!
Oiá descobriu sua beleza nos espelhos de Oxum.
Oiá se encantou, mas também se assustou:
era ela mais bonita que Oxum, a Bela.
Tão feliz ficou que contou do seu achado
a todo mundo.

E Oxum Apará remoeu amarga inveja,
já não era a mais bonita das mulheres.
Vingou-se.
Um dia foi à casa de Egungum e lhe roubou o espelho,
o espelho que só mostra a morte,
a imagem horrível de tudo o que é feio.
Pôs o espelho do Espectro no quarto de Oiá e esperou.
Oiá entrou no quarto, deu-se conta do objeto.
Oxum trancou Oiá pelo lado de fora.
Oiá olhou no espelho e se desesperou.
Tentou fugir, impossível.
Estava presa com sua terrível imagem.
Correu pelo quarto em desespero.
Atirou-se no chão.
Bateu com a cabeça nas paredes.
Não logrou escapar nem do quarto
nem da visão tenebrosa da feiúra.
Oiá enlouqueceu.
Oiá deixou este mundo.

Obatalá, que a tudo assistia, repreendeu Apará
e transformou Oiá em orixá.
Decidiu que a imagem de Oiá nunca seria esquecida por Oxum.
Obatalá condenou Apará a se vestir para sempre
com as cores usadas por Oiá,
levando nas jóias e nas armas de guerreira
o mesmo metal empregado pela irmã.

[Notas Bibliográficas e Comentários]

Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás, de Reginaldo Prandi, publicado pela Cia das Letras, págs 323-5. Originalmente encontrado em Reginaldo Prandi, pesquisa de campo, São Paulo, 1997. Nos candomblés, Oxum Apará usa roupas cor-de-rosa, com ferramentas feitas de latão, que são atributos de Oiá.

Egungum | Egum [Égún] - antepassado, espírito de morto, o mesmo que egungunm; alguns orixás são eguns divinizados.

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Olorum Colofé!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Oiá nasce na casa de Oxum!

Um rei tinha uma filha chamada Ala.
Ele queria casá-la com um príncipe poderoso.
No entanto, a princesa tinha um amante
e do amante ela esperava um filho.
Sabedor do fato, o rei rsolveu matá-la.
Numa barca, levou a princesa até o meio do rio,
do rio onde vivia Oxum.
Jogou a princesa no meio do rio, a casa de Oxum.
O rei tinha um papagaio que o acompanhava sempre.
O papagaio tudo presenciou.

Tempos depois, alguns pescadores
viram uma caixa boiando no rio.
Foram ver de perto e dentro tinha uma criança.
Assustaram-se com o que viram.
Temerosos, abandonaram seu achado na margem do rio.
Pelo mesmo lugar passou outra embarcação.
Seus ocupantes foram atraídos pelo choro da criança.
Os viajantes recolheram a criança
e a levaram como presente ao rei.
O rei ficou feliz com o presente
e resolveu apresentar a criança ao povo como sendo filha sua.
Ele sentia falta da filha que afogara,
sentia-se sozinho.
Deu uma festa para apresentar a nova filha que adotara.
Quando todos estavam reunidos
o papagaio contou-lhes acerca de todo o sucedido.
Disse que a menina havia nascido na casa de Oxum.
Portanto, deveriam devolvê-la ao rio.
O rei então se deu conta de que a menina era sua neta
e devolveu-a ao rio onde nascera.
A criança cresceu protegida por Oxum.
Essa menina era Oiá.

[Notas Bibliográficas e Comentários]

Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi publicado pela Cia das Letras, Págs 295-6. Originalmente transcrito de Lydia Cabrera, 1980, pp. 81-2.

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Olorum Colofé!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Oiá recebe o nome de Iansã, mãe de nove filhos!


Oiá desejava ter filhos,
mas não podia conceber.
Oiá foi consultar um babalaô
e ele mandou que fizesse um ebó.
Ela deveria oferecer um carneiro, um agutã,
muitos búzios e muitas roupas coloridas.

Oiá fez o sacríficio e teve nove filhos.
Quando ela passava, indo em direção ao mercado, o povo dizia:
"Lá vai Iansã".
Lá ia Iansã, que quer dizer mãe nove vezes.
E lá ia ela orgulhosa ao mercado vender azeite-de-dendê.

Oiá não podia ter filhos,
mas teve nove,
depois de sacrificar um carneiro.
E em sinal de respeito,
por ter seu pedido atendido,
Iansã, a mãe dos nove filhos, nunca mais comeu carneiro.


[Notas Bibliográficas e Comentários]

Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi publicado pela Cia das Letras, Págs 294 e 295. Originalmente retirado de William Bascom, 1980, pp.231-3; Pierre Verger, 1981 (a), p. 168. Até hoje, nos candomblés, comer carne de carneiro é tabu para os filhos de Oiá.


Ebó - Sacríficio, oferenda, despacho


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