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sábado, 30 de julho de 2011

Iemanjá joga búzios na ausência de Orunmilá


Iemanjá e Orunmilá eram casados.
Orunmilá era um grande adivinho.
Com seus dotes sabia interpretar os segredos dos búzios.
Certa vez Orunmilá viajou e demorou a voltar
e Iemanjá viu-se sem dinheiro em casa.
Então, usando o oráculo do marido ausente,
passou a atender uma grande clientela
e fez muito dinheiro.

No caminho de volta pra casa,
Orunmilá ficou sabendo que havia em sua aldeia
uma mulher de grande sabedoria e poder de cura,
que com a perfeição de um babalaô jogava búzios.
Ficou desconfiado.
Quando voltou, não se apresentou a Iemanjá,
preferindo vigiar, escondido, o movimento em sua casa.
Não demorou a constatar que era mesmo a sua mulher
a autora daqueles feitos.
Orunmilá repreendeu duramente Iemanjá.
Iemanjá disse que fez aquilo para não morrer de fome.
Mas o marido contrariado a levou perante Olofim-Olodumare.
Olofim reiterou que Orunmilá era e continuaria sendo
o único dono do jogo oracular que permite a leitura do destino.
Ele era o legítimo conhecedor pleno das histórias
que formam a ciência dos dezesseis odus.
Só o sábio Orunmilá pode ler a complexidade e as minúcias do destino.
Mas reconheceu que Iemanjá tinha um pendor para aquela arte,
pois em pouco tempo angariara grande freguesia.
Deu a ela então autoridade para interpretar as situações mais simples,
que não envolvessem o saber complexo dos dezesseis odus.


[Notas Bibliográficas e Comentários]

Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi, publicado pela Cia das Letras, págs. 387-8. Originalmente encontrado em Natália Aróstegui, 1994 (b), p. 45.

Odu [Odù] – Signos do oráculo iorubano, formados de mitos que dão indicações sobre a origem e o destino do consulente. O odu é obtido ao acaso, pelo lançamento de dezesseis búzios, dezesseis cocos de dendê, ou pela cadeia de adivinhação de Ifá. Na África, os odus são histórias em forma de poemas recitados de cor pelo babalaô. Em Cuba, os babalaôs mantêm os mitos dos odus escritos em cadernos que conservam em segredo (pataquis). No Brasil, os poemas estão esquecidos, conservando-se contudo seus nomes, nomes de orixás que fazem parte das narrativas e presságios de cada um deles. Odus são divindades enviadas por Orunmilá para ajudar os homens.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

domingo, 3 de julho de 2011

Iemanjá vinga seu filho e destrói a primeira humanidade


Iemanjá era uma rainha poderosa e sábia.
Tinha sete filhos
e o primogênito era o seu predileto.
Era um negro bonito e com o dom da palavra.
As mulheres caíam a seus pés.
Os homens e os deuses o invejavam.
Tanto fizeram e tanta calúnia levantaram contra o filho de Iemanjá
que provocaram a desconfiança de seu próprio pai.
Acusaram-no de haver planejado a morte do pai, o rei,
e pediram ao rei que o condenassem à morte.


Iemanjá Sabá explodiu em ira.
Tentou de todas as formas aliviar seu filho da sentença,
mas os homens não ouviram suas súplicas.
E essa primeira humanidade conheceu o preço de sua vingança.
Iemanjá disse que os homens
só habitariam a Terra enquanto ela quisesse.
Como eles a fizeram perder o filho amado,
suas águas salgadas invadiriam a terra.
E da água doce a humanidade não mais provaria.
Assim fez Iemanjá.
E a primeira humanidade foi destruída.


[Notas Bibliográficas e Comentários]

Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi, publicado pela Cia das Letras, pág 386. Originalmente encontrado em Lydia Cabrera, 1980, pp. 32-3.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

sábado, 11 de junho de 2011

Iemanjá dá à luz as estrelas, as nuvens e os orixás


Iemanjá vivia sozinha no Orum.
Ali ela vivia, ali dormia, ali se alimentava.
Um dia Olodumare decidiu que Iemanjá
precisava ter uma família,
ter com quem comer, conversar, brincar, viver.
Então o estômago de Iemanjá cresceu e cresceu
e dele nasceram todas as estrelas.
Mas as estrelas foram se fixar na distante abóbada celeste.
Iemanjá continuava solitária.
Então de sua barriga crescida nasceram as nuvens.
Mas as nuvens perambulavam pelo céu
até se precipitarem em chuva sobre a terra.
Iemanjá continuava solitária.
De seu estômago nasceram então os orixás,
nasceram Xangô, Oiá, Ogum, Ossaim, Obaluaê e os Ibejis.
Eles fizeram companhia a Iemanjá.

[Notas Bibliográficas e Comentários]

Transcrito do livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi publicado pela Cia das Letras, pág 47. Originalmente retirado de Awo Fá’lókun Fátunmbi, 1994, p. 126.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

02 de Fevereiro é dia de Iemanjá!

Os primeiros raios de luz que saltam sobre o horizonte já anunciam as celebrações. O corpo veste branco e tons de azul traduzindo a alma que se cobre de sal e espuma. O dia é da grande mãe africana do Brasil, a senhora das águas Yemanjá, iyabá (orixá feminino) da mitologia afro-brasileira, a mãe dos navegantes dessa imensa nau que é o Brasil.

As águas celebram uma festa íntima, o mar agita-se para saudar sua rainha, a doce mãe de todos. Há uma emoção particular, uma comoção coletiva. As rosas e os presentes lançados em oferendas ao mar são misturados pelas ondas e tragados pelas correntes marítimas para chegarem ao seu destino - as fortes e delicadas mãos da senhora dos oceanos.

Ogunté, Marabô, Caiala, Sobá, Oloxum, Inaê, Janaína. Em suas sete qualidades, reverenciamos a matriarca do panteão afro-brasileiro com o coração embevecido de uma tênue tristeza traduzida em seu canto. Toda a costa brasileira fica mais perfumada e colorida. Hoje é 02 de Fevereiro. É dia de Iemanjá.

Para homenagear esta data, preparamos um ábum especial com imagens das apresentações que fizemos em louvor à Rainha das águas salgadas. 



Confiram também algumas lendas que publicamos sobre Iemanjá:
Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

Convite à Sociedade: III Águas de Yá Ori

As homenagens a Iemanjá seguem por todo o Brasil. Assim como em Salvador, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, Aracaju também promove os seus festejos em celebração à Rainha do Mar. E é com muita honra que repassamos o convite enviado ao Yaônilé pela Associação Luz do Oriente (ALO) que, em parceria com o Ilê Axé Oyá Tassitaô, promove na tarde de hoje o III Águas de Yá Ori. O evento será realizado na Orla do bairro Industrial, a partir das 16h de hoje, 02 de fevereiro, em homenagem a Iemanjá.

A Associação Luz do Oriente nasceu dentro do Ilê Axé Oyá Tassitaô, localizado no bairro Industrial, zona periférica da cidade de Aracaju. O surgimento da associação veio suprir uma carência da população daquela localidade em atividades de promoção da educação, saúde, cultura, dentre outras. A ALO desenvolve um trabalho assistencialista e sócio-educativo com a comunidade dispondo, basicamente, de recursos próprios.

Para conhecer mais sobre a ALO visite seu perfil oficial no Orkut.

O Yaônilé estará presente e você?

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Yaônilé em Imagens #4 - Faculdade Amadeus

O público da Faculdade Amadeus se rendeu ao Yaônilé. Veja aí o porquê.











Confiram o álbum da apresentação no Flickr e também no Orkut.


Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Platéia da Fama se rende ao Yaônilé!

Uma noite mágica! Assim pode ser descrita a noite de ontem na Faculdade Amadeus onde, durante 40 minutos, o público assistiu encantado a apresentação do Yaônilé. 

A abertura oficial da 8ª edição do Café Filosófico foi marcada pela benção das Yabás, o brilho, o encanto e o misticismo das Rainhas do Panteão Africano. Saudando a todos a partir da saída do camarim, a bailarina Monaliza Viviane jincou para interpretar Nanã, a velha divindade dos lagos e pântanos. O silêncio instaurou-se imediatamente. Nada conseguiria chamar a atenção das 600 pessoas que lotaram a quadra da Fama além do fascínio que a dança transmitia - O Yaônilé entrava no palco.

Em seguida as entidades das águas foram saudadas com a dança dos pescadores em reverência aos marujos e marinheiros; as baianas e seus balaios de presentes dedicados à força dos oceanos - a Rainha Iemanjá interpretada pela bailarina Inês Reis. Em sua dança, o equilíbrio entre serenidade e força, as águas que acalmam, as águas que destroem. Com a entrada de Oxum, o público chorou.

Laiz Vieira desfilou o Ijexá cadenciado da Senhora das águas doces trazendo lágrimas aos olhos dos presentes. A nobreza da entidade representada pela delicadeza dos movimentos singelos e compassados foi sentida até mesmo pelos companheiros de dança que também se renderam às lágrimas. 

Oyá encerrou a apresentação. A mudança no astral do público foi imediata quando o bailarino Geslei Leite soltou o Ilá da Rainha dos Ventos e preencheu o espaço com o Aguerê de Iansã. Movimentos rápidos, certeiros, giros praticamente impossíveis, beleza incomparável. Força, resistência, autonomia, bravura! O Movimento do Fogo, Pedreiras e Tempestades havia começado. O espaço foi preenchido pelo restante do grupo e o axé se espalhou. Na marca dos 40 minutos de apresentação, quando o Yaônilé cravou o último movimento da coreografia, foi a vez da platéia levantar-se e aplaudir calorosamente o espetáculo que haviam presenciado. 

As palmas que pontuaram vários momentos da apresentação foram o atestado de que nossa mensagem havia sido transmitida - o público viu, ouviu e entendeu. Seguiram-se manifestações de carinho, declarações de encantamento, elogios, elogios, elogios. Autoridades como Joaquim Machado, diretor da Fama, e Fernando Lins, Sociólogo e Ex-reitor da UFS, diretores acadêmicos, além de alunos, professores, coordenadores. O Yaônilé recebeu a todos, tirando fotos, conversando, interagindo. 

Além de tudo e como forma de agradecimento a Faculdade Amadeus disponibilizou 100% de isenção da taxa de inscrição do vestibular 2011 para os nossos integrantes.

Trabalho bem feito se faz assim. É com seriedade e amor de verdade que vamos ocupando um espaço que desde sempre nasceu para ser nosso.

Em breve, fotos oficiais.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Nanã tem um filho com Oxalufã


Nanã era considerada grande justiceira.
Qualquer problema que ocorresse,
todos a procuravam para ser a juíza das causas.
Mas sua imparcialidade era duvidosa.
Os homens temiam a justiça de Nanã,
pois se dizia que Nanã só castigava os homens
e premiava as mulheres.
Nanã tinha um jardim com um quarto para os eguns,
que eram comandados por ela.
Se alguma mulher reclamava do marido,
Nanã mandava prendê-lo.
Batia na parede chamando os eguns.
Os eguns assustavam e puniam o marido.
Só depois Nanã o libertava.

Ogum foi reclamar a Ifá sobre o que ocorria.
Segundo Exu, conhecido como bisbilhoteiro,
Nanã queria dizimar os homens.
Os orixás reunidos resolveram dar um amor para Nanã,
para que ela se acalmasse
e os deixasse em paz.
Os orixás enviaram Oxalufã nessa missão.

Chegando à casa de Nanã,
Oxalufã foi servido com ricos alimentos.
Mas o velho pediu-lhe que fizesse um suco de igbins, de caracóis.
Oxalufã, muito sábio, fez Nanã beber com ele o suco.
Nanã bebeu do omi eró, a água que acalma.
Assim Nanã foi se acalmando.
Cada dia que passava Nanã se afeiçoava mais a Oxalufã.

Pouco a pouco Nanã foi cedendo aos pedidos de Oxalá.
Mas até então Nanã não havia mostrado a ele seu jardim.
Um dia uma mulher queixosa do marido procurou Nanã,
e ela, aconselhada por Oxalufã, quis ouvir ambos os cônjuges,
não só a mulher, mas também o seu marido.

Nanã tinha se acalmado.
Mostrou de vez todo o seu reino a Oxalufã.
Mostrou também como comandava os eguns.
Oxalá observou tudo.
Um dia, quando Nanã se ausentou de casa,
Oxalá vestiu-se de mulher e foi ter com os eguns.
Com a voz mansa como a da velha,
Oxalá ordenou os eguns que dali em diante
eles atenderiam aos pedidos do homem que vivia na casa dela.

Em sua volta Nanã foi surpreendida com a afirmação de Oxalá,
que ele também mandaria nos eguns.
Mesmo contrariada, Nanã acatou o dito,
pois estava enamorada do velho,
queria ter com ele um filho.
Mas Oxalá disse a Nanã
que não poderiam ter um filho,
pois ambos tinham o mesmo sangue.
Nanã estava inconformada
e não aceitou o interdito.
Nanã preparou uma comida contendo um pó mágico
e o pó fez com que Oxalá adormecesse.
Aproveitando-se do sono de Oxalufã,
Nanã deitou-se com ele e engravidou.
Quando acordou,
Oxalá ficou muito contrariado.
Não podia mais confiar em Nanã,
pois Nanã se aproveitara do sono de Oxalá.
E Oxalá teve que abandonar Nanã.
Abandonou Nanã e foi viver com Iemanjá.

[Notas Bibliográficas e Comentários]

Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi, publicado pela Cia das Letras, págs 198 - 200. Originalmente encontrado em Monique Augras, 1983, pp. 136-7.

Egum [Égún] - antepassado, espírito de morto, o mesmo que egungunm; alguns orixás são eguns divinizados.
Igbim [Ígbin] - caracol catassol; animal predileto de Oxalá.
Omi Eró [Omi èró] - literalmente, água que acalma; abô de folhas suaves; também "sangue" de caracol.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

Iemanjá foge de Oquerê e corre para o mar


Iemanjá foi mãe de dez filhos,
fruto de seu casamento com Olofim-Odudua.
Cansada da vida em Ifé, Iemanjá partiu para o Oeste.
Iemanjá assim chegou a Abeocutá.
Lá conheceu Oquerê, rei de Xaci.
Conheceu Oque-rê, Oquê.
Oquê, encantado com a sua beleza, propôs-lhe casamento.
Ela concordou, desde que ele nunca fizesse alusão a seus seios,
seios que eram grandes, fartos, volumosos.
Porque Iemanjá havia amamentado muitos filhos.
Em troca, Iemanjá nunca falaria dos defeitos de Oquerê.
Não falaria de seus testículos exuberantes,
de sua mania de beber demais,
nem entraria em seus aposentos pessoais.
Esses eram os tabus de Iemanjá e Oquerê.

Um dia, Oquerê voltou para casa embriagado,
tropeçou em Iemanjá, vomitou no chão da sala.
Iemanjá o reprimiu, chamando-o de bêbado.
Chamou-o de imprestável.
Oquerê perdeu o domínio das palavras.
Ficou enfurecido.
Oquerê ofendeu Iemanjá,
fazendo comentários grosseiros sobre os imensos seios dela.
Iemanjá lembrou-o dos defeitos dele,
como ele bebia, como tinha exagerada a genitália.
Entrou no quarto dele e apontou a confusão que lá reinava.
Não havia mais reconciliação possível.
Todos os tabus estavam quebrados.
Oquê quis surrar Iemanjá
e ela fugiu.

Iemanjá saiu em fuga para a casa de sua mãe Olocum.
Iemanjá tinha um presente que ganhara dela,
uma garrafa com uma poção mágica, que levou consigo.
Na fuga, Iemanjá derrubou a garrafa e dela nasceu um rio,
que levaria Iemanjá ao mar, a casa de sua mãe.
Assim Iemanjá iniciou seu curso em direção ao mar.
Mas Oquerê, que a perseguia, tentou impedi-la de abandoná-lo.
Transformou-se ele próprio numa altíssima montanha,
que impedia o curso de Iemanjá em direção ao mar.
Oquerê transformou-se em Oquê, a montanha,
para impedir que Iemanjá, o rio, corresse para o mar.
Iemanjá chamou em seu auxílio Xangô, seu filho poderoso.
Xangô pediu oferendas e no dia seguinte provocou a chuva.
E quando a tempestade era forte, Xangô lançou um raio,
que num estrondo dividiu o monte Oquê em dois,
formando um vale profundo para a passagem de sua mãe, o rio.
Livre, Iemanjá seguiu para a casa da mãe dela, o mar.
Assim Iemanjá Ataramabá foi aconchegar-se no colo de Olocum.

[Notas Bibliográficas e Comentários]

Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi publicado pela Cia das Letras, págs 383-5. Originalmente encontrado em William Bascom, 1980, pp. 45-6, 489-93; Pierre Verger, 1981 (a), p. 190; Verger, 1981 (b), pp. 59-63; Verger, 1985, pp. 50-2; Agenor Miranda Rocha, 1994, pp. 83-4. variantes deste mito dizem que Iemanjá teria entrado num quarto proibido do palácio de Oquerê, buscando comida para seus hóspedes, e que seu marido teria então ridicularizado os fartos seios da esposa. Iemanjá replicara fazendo alusão aos enormes dentes de Oquerê e, noutra variada, fazendo pouco de seus desproporcionais testículos. Mito mito parecido ao de Otim. Noutra versão, o marido é Ogum (Ulli Beier, 1980, pp. 45-6). Em muitos candomblés, a Iemanjá aqui descrita corresponde à qualidade Ataramabá.

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Olorum Colofé!

domingo, 26 de setembro de 2010

Yaônilé na Mídia #3

E que Mídia!!

Em um café da manhã servido a coordenadores de escolas das redes pública e particular de Sergipe na sexta, 24, a Universidade Tiradentes lançou mais uma edição do Balanço Social da Instituição. Uma revista informativa que traz as avaliações e apresenta os números e resultados das atividades extensionistas desenvolvidas na academia durante os anos de 2009 e 2010.1, com linguagem, textos, imagens, diagramação e finalização impecáveis.

No final da apresentação de sábado, no Dia da Livre Iniciativa, o Yaônilé foi presenteado com 15 exemplares do BS e parabenizado mais uma vez pelo Pró- Reitor Gilton Kennedy que, abrindo a revista, exibiu uma foto do Yaônilé no Palco do Teatro Tiradentes em "uma das mais belas apresentações que já tive oportunidade de presenciar", disse ele. A imagem ocupa duas páginas da edição e traz referências à Semana da Consciência Negra que este ano acontece de 17 a 19 de Novembro com presença confirmada do Yaônilé.

Ficamos lisonjeados e profundamente honrados com tamanha demonstração de carinho dos responsáveis pela edição - PAACE - UNIT. A surpresa nos deixou emocionados e revigorados a continuar traduzindo a nossa mensagem em belos espetáculos. Aproveite o ensejo e reveja a apresentação no Teatro Tiradentes!

Ap. Esquerda: Laiz, Monaliza Luar, Karla, Inês e Nathália (Movimento das Águas | Iemanjá)
Créditos da Imagem: Marcelo Freitas (Marketing - Unit)

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terça-feira, 24 de agosto de 2010

Sete divas e um oceano musical para Yemanjá




7 rainhas: Margareth Menezes, Luciana Mello, Rosa Marya Colin, Alaíde Costa, Mart´nália, Paula Lima e Daúde 




Maestro, orquestra e banda abrem o espetáculo

Concerto Mães D´Água - Yèyé Omó Ejá. Teatro completamente lotado. Entram orquestra, banda e maestro. Os primeiros acordes anunciam a grandeza da celebração. Todos vestindo branco no palco azul, beleza de espuma nas ondas do mar, berço de Yemanjá.

Sob a suave iluminação, emerge do oceano musical a primeira sereia da noite, ornada como deusa, com porte de rainha, Paula Lima, entoando, com sua voz especialíssima, Caminhos do mar, de Dorival Caymmi, Danilo Caymmi e Dudu Falcão. O público, desde o início arrebatado, aplaude ainda mais quando ouve uma outra voz, vinda das coxias, abraçar o canto de Paula: é Luciana Mello, com seu jeito de sereia-menina e um cativante sorriso no rosto, que vem cantando a bela Arrastão, de Edu Lobo e Vinícius de Morais. E é Luciana que continua (en)cantando, com Pedra e areia, de Lenine e Dudu Falcão.

Não poderia ser mais impactante a abertura do espetáculo, que trouxe aos holofotes do Teatro Nacional, em Brasília, sete sereias, divas, divindades negras da música brasileira. Concerto dedicado às mulheres e à grande mãe africana do Brasil, a senhora das águas Yemanjá, iyabá (orixá feminino) da mitologia afro-brasileira que indiscutivelmente é a mais louvada e cantada por todo País, e, por isso, escolhida pela Fundação Cultural Palmares para ser o fio condutor do show, que encerrou, em grande estilo, as comemorações do seu aniversário de 22 anos.

E o espetáculo continua num crescendo de emoção. Quem vem pra beira do mar, de Dorival Caymmi,Canto de Iemanjá, de Baden Powell e Vinícius de Moraes, e Conto de areia, de Romildo S. Bastos e Toninho Nascimento, são as perólas seguintes, ofertadas à Rainha das Águas pelas ilustres sereias-mães Rosa Marya Colin e Alaíde Costa. O lirismo, a suavidade e o romantismo emprestados às músicas pela voz destas maravilhosas cantoras enfeitiçaram de tal modo os navegantes dessa nau sonora, que, por pouco, muitos não se atiraram ao mar, em busca da eternidade deste momento de perfeição estética.

Margareth Menezes, diva negra do poder, força e afirmação, chega com o grande Candeia, da velha-guarda da Portela, avisando que O mar serenou "quando ela pisou na areia....", arrancando ovações da platéia. E o que parecia impossível aconteceu, mais entusiasmo ainda no ambiente com a entrada dadiva-contra-diva Mart´nália, fazendo um surpreendente dueto com Margareth em Rainha do mar, de Dorival Caymmi. Com sua autenticidade, irreverência e um admirável "jogo de cintura", provado ao driblar, com maestria, o esquecimento da letra de Na beira do mar, de Mateus e Dadinho, Mart´nália conquista as palmas e o afeto da platéia.

E a esperada última sereia da noite, Daúde, pousa como uma libélula dourada nestas águas simbólicas já repletas de ricas oferendas musicais à Rainha do Mar. Seu timbre, sofisticado e originalíssimo, transformou Agradecer e abraçar, de Vevé Calazans e Gerônimo, e Lenda das sereias, de Vicente, Dionel e Veloso, em dois luxuosos presentes oferecidos a Yemanjá, nesta noite memorável, imortalizada pela gravação ao vivo de um DVD.

Os brilhantes solos e duetos sustentaram o espetáculo até o final, quando as sete divas, em um encontro emocionante, cantaram juntas Dois de fevereiro, o grande hino a Yemanjá composto pelo baiano Dorival Caymmi.

Embora a conexão entre as divas e a divindade - suas sete representações - permeasse toda a concepção do espetáculo, o mimetismo não se expressou de forma óbvia. O figurino, criativo e belíssimo, e a iluminação, que realçava, com sensibilidade, o clima de cada canção, foram os ´detalhes´ que fizeram a diferença, complementando, com brilho e luxo, do jeito que Yemanjá gosta, este grandioso espetáculo.

Parabéns, Palmares!


Fonte: FCP (Por Sal Freire)
Fotos: Sétima Produções | Divulgação Palmares

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sábado, 14 de agosto de 2010

Portal da PM | SE destaca apresentação do Yaônilé!

Matéria sobre a participação do Yaônilé no 1º Seminário em Defesa da Vida: contra o racismo, intolerância religiosa e violência policial. Disponível no Portal da Polícia Militar do Estado de Sergipe.


Confiram um trecho da reportagem:

"O Seminário foi encerrado no final da manhã, com a apresentação do Grupo de Dança Yaônile, que apresentou um trecho do espetáculo ‘Gira – o movimento da Aruanda’, no pátio do quartel da PM. Durante o evento, o grupo apresentou de forma encantadora e com um figurino impecável parte do espetáculo que ainda está em fase de ajustes para lançamento em 2011." 
(...)

"O Grupo de Dança Yaônilé trabalha com dança afro, tem oito meses de criação e 22 integrantes, entre homens e mulheres. O grupo já participou da Lavagem da Conceição, abertura da Semana de Extensão da Universidade Tiradentes (UNIT) e da Semana de Consciência Negra da UNIT e tem à sua frente Danilo Aguiar, que é diretor, coreógrafo e figurinista do espetáculo que encerrou o evento desta manhã."


Axé a todos os nossos irmãos!
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"Vocês são muitos especiais!", por Iza Leite

"Dança é sempre gostoso de se ver, principalmente quando, por trás dela, tem esforços, garra, suor e muito amor!!!! Foi assim que eu vi a apresentação do Yaônilé hoje....vocês são muitos especiais!! parabéns"

Trecho transcrito da Página de Recados do Orkut do Yaônilé. Enviado por Iza Leite, uma amiga e incentivadora do grupo, irmã da nossa Produtora Executiva Bellinha Leite


A partir da esquerda: Bellinha Leite, Alan Lagoa, Diana Santos e Iza Leite.

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Olorum Colofé!

O Yaônilé e a PM SE selam parceria

É com muita honra que os policiais militares do nosso estado se colocam à disposição da comunidade oferecendo-lhe segurança. E é de maneira honrosa também que, a convite do Coronel Ornelas, o Yaônilé fecha uma parceria com a Polícia Militar do Estado de Sergipe para participar assiduamente dos eventos da corporação. O resultado da parceria já poderá ser visto no próximo mês de setembro quando o Yaônilé se apresentará em outro grande evento da PM SE. 

Mais uma vez agradecemos a confiança e reiteramos que o nosso compromisso não está vinculado à pessoas, folhas de pagamento ou sucesso gratuito. Somos fiéis à causa que defendemos e é por ela que estaremos sempre à frente na luta contra o preconceito racial e a intolerância religiosa.


Axé a todos os nossos irmãos!

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Olorum Colofé! 

1º Seminário em Defesa da Vida - PM SE #Fotos

Conforme prometido aqui estão as fotos da nossa apresentação no Quartel Central Geral da Polícia Militar de Sergipe.


Confiram!








Para ter acesso a mais fotos visite o nosso perfil oficial no Orkut.

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domingo, 8 de agosto de 2010

Iemanjá é violentada pelo filho e dá à luz os orixás!



Da união entre Obatalá, o Céu,
e Odudua, a Terra,
nasceram Aganju, a Terra Firme,
e Iemanjá, as Águas
Desposando seu irmão Aganju,
Iemanjá deu à luz Orungã.
Orungã nutriu pela mãe incestuoso amor. 
Um dia, aproveitando-se da ausência do pai,
Orungã raptou e violou Iemanjá.
Aflita e entregue a total desespero,
Iemanjpa desprendeu-se dos braços do filho incestuoso
e fugiu.

Perseguiu-a Orungã.
Quando ele estava prestes a apanhá-la,
Iemanjá caiu desfalecida
e cresceu-lhe desmesuradamente o corpo,
como se suas formas se transformassem em vales, montes, serras.
De seus seios enormes como duas montanhas nasceram dois rios,
que adiante se reuniram numa só lagoa, originando adiante o mar.
O ventre descomunal de Iemanjá se rompeu
e dele nasceram os orixás:
Dadá, deusa dos vegetais,
Xangô, deus do trovão,
Ogum, deus do ferro e da guerra,
Olocum, divindade do mar,
Olossá, deusa dos lagos,
Oiá, deusa do rio Niger,
Oxum, deusa do rio Oxum,
Obá, deusa do rio Obá,
Ocô, orixá da agricultura,
Oxóssi, orixá dos caçadores, 
Oquê, deus das montanhas,
Ajê Xalugá, orixá da saúde,
Xapanã, deus da varíola,
Orum, o Sol,
Oxu, a Lua.
E outros e mais outros orixás nasceram
do ventre violado de Iemanjá.
E por fim nasceu Exu, o mensageiro.
Cada filho de Iemanjá tem sua história,
cada um tem seus poderes.

[Notas Bibliográficas e Comentários]

Transcrito do livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi publicado pela Cia das Letras, Págs 382-3. Originalmente transcrito de Noel Baudin, 1884, p. 13; A. E. Ellis, 1894, p. 43; Nina Rodrigues, 1945, p. 353; Arthur Ramos, 1940, pp. 318-9; Ramos, 1952, pp. 14-15; Edson Carneiro, 1954, p. 235; Leo Frobenius, 1949, p. 161; Pierre Verger, 1957, p. 292 [1999, p. 295]; Verger, 1981 (a), p. 194; Olumide Lucas, 1948, p. 97; R. C. Abraham, 1962, p. 680; Lydia Cabrera, 1980, pp. 23-4; Samuel Feijoo, 1986, pp. 241-2; Natalia Aróstegui, 1994 (a), p. 154; Rosa María Lahaye Guera e Rúben Zardoya Loureda, 1996, p. 26; Zora Seljan, 1973, pp. 95-6 e 111. No começo do século XX, Nina Rodrigues transcreveu o mito aprendido com Ellis, que o reproduzira do padre Baudin, e disse não ter encontrado similar na Bahia. Verger, quase um século após o registro de Baudin, afirma, com base em suposições, que o mito foi uma "invenção" de Baudin (Verger, 1981 (a), p. 194) e o rejeita, embora reproduza, sem citar, muitos outros mitos presentes no mesmo volume de Baudin. Antropólogos e estudiosos da religião dos iorubás na África e no Novo Mundo reproduziram o mito e a partir de certo tempo ele já encontrado em pesquisa de campo tanto no Brasil como em Cuba. No Brasil de hoje, é um dos mitos mais populares entre o povo-de-santo, que não sabe dizer o nome do filho de Iemanjá que a teria violentado, mas conta que a origem dos orixás foi conseqüência da violência sexual do filho contra ela. No original de Baudin, cada filho de Iemanjá ocupa um longo trecho da narrativa, merecendo Exu um capítulo à parte. Na versão resumida de Ellis, que tonou Baudin como base, os orixás são apenas enumerados com sua atribuição principal, esquecendo-se de Exu.


Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!