Mostrando postagens com marcador áfrica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador áfrica. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

História Geral da África para download

Uma excelente dica de leitura para quem quer saber mais sobre a África. Para abrir o documento em PDF, clique na imagem.


Boa leitura!

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Os deuses e suas cidades - de onde vem os Orixás?

Créditos da Imagem
O culto a orixá na África não é homogêneo, não há um panteão definido em toda a parte negra do continente. Alguns deuses conhecidos em certas cidades são completamente desconhecidos em outras e seu culto, na maioria das vezes, fica restrito às cidades de que foram reis ou senhores. Essa é uma diferença com o Candomblé, no qual há um panteão mais ou menos homogêneo, e deuses das mais diversas procedências da terra ioruba são reverenciados num único culto.

Contudo, existem alguns orixás que são conhecidos em muitas regiões. É o caso de Exu, que não possui uma região definida e é quase como um deus universal, cultuado em Ifé e em Mahi. A única referência que se tem de um possível lugar dominado por Exu é o título de Alakétu com o qual, a exemplo de Oxóssi, também é saudado, mas esse atributo parece ter muito mais a ver com uma recriação brasileira, onde Kêtu tornou-se a mais importante nação de Candomblé, do que com um título honorífico recebido na África. Na verdade, o lugar de origem de Exu é cada ser humano, por isso é saudade Elebara, o rei do corpo.

A cidade de Iré teve como grande rei Ogum, que devido ao seu gosto pela conquista tornou-se conhecido em muitas cidades da África, inclusive Ifé, da qual foi regente quando seu pai, Odudua, esteve impossibilitado. O título de Onirê (Oníìré) pertence a Ogum. Nas regiões em que esse orixá não é cultuado, outros deuses assumem o domínio sobre a caça ou sobre a guerra, como Oxóssi em Kêtu, o grande orixá dos caçadores que está praticamente esquecido na África, mas é bastante cultuado no Brasil, onde mantém o título de Alakétu, tendo se tornado o grande patrono do Candomblé. Outros deuses caçadores, que no Brasil são considerados qualidades de Oxóssi, são cultuados em suas próprias cidades. Esse é o caso de Erinlé na cidade de Ilobu e Otin em Inisá. Logun Edé, saudado na África como rei de ILesá, no Brasil é filho de Oxum e Oxóssi.

Créditos da Imagem
Entre as deusas das águas muitas estão relacionadas também a rios que levam seus nomes. Iansã é a deusa do rio Níger, também conhecido como rio Oyá, que é um outro nome da deusa. Obá também é a divindade de um rio de mesmo nome, que em certo ponto encontra com o rio Oxum, formando uma violenta confluência e lembrando sempre a rivalidade entre as duas deusas. Oxum é também a rainha de Ijesá e seu culto se estende até a cidade de Osogbó, na qual selou uma aliança com o rei local, passando a ser cultuada por todos os moradores. Em Osogbó realizam-se os principais festivais de Oxum.

Iemanjá, a deusa do rio de mesmo nome e também do rio Ogum, era cultuada inicialmente em Abeokutá, mas quando seus sacerdotes tiveram que se mudar para Egbá, esta cidade passou a ser o principal local de culto. Ewá também tem um rio com seu nome e a sua cidade é Egbado.

Os iorubas, quando conquistavam territórios vizinhos, geralmente assimilavam os seus deuses, e foi isso que aconteceu com Nanã Buruku, Obaluaiê (Obalúayé), Oxumaré e Iroko, todos cultuados entre os Mahi e nas terras do antigo Daomé. Sua incorporação ao panteão nagô ocorreu ainda na África.

A região de origem de xangô é Nupé ou Tapá, mas seu culto é mais evidente e forte na cidade de Òyó, da qual foi o terceiro e mais poderoso Aláàfin (rei). Seu culto é muito intenso nessa cidade e praticamente desconhecido em Ifé, onde Oramfé é considerado o senhor do trovão.

Os orixás funfun são adorados em praticamente toda a África negra, porém, alguns nomes se sobressaem em determinadas regiões, como Orixalá ou Obatalá em Ifé; Oxalufã em Ifon e Oxaguiã em Ejigbó.

É importante compreender essa diferença fundamental entre África e Brasil, já que entre os iorubás o orixá está intimamente ligado à etnia. É por isso que devemos ter bem claro que somos afro-brasileiros, não podendo desconsiderar a história do negro no Brasil para compreender a formação do Candomblé.

[Notas Bibliográficas e Comentários]

Transcrito do Livro “Candomblé – A panela do segredo”, de Pai Cido de Òsun Eyin com a colaboração de Rodnei William Eugênio, publicado pela Editora ARX, pp. 59-60.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Oxaguiã manda libertar o amigo preso injustamente



O filho de Oxalufã tornou-se um guerreiro forte
e decidiu um dia conquistar um reino para si.
Partiu em companhia de seu amigo Auoledjê.
Conquistou Ejigbô, tornando-se seu rei, Elejigbô.
O rei tinha uma grande paixão, comer inhame pilado.
E comia com gula, tanto que o chamavam Oxaguiã,
que quer dizer "Oxalá-Comedor-de-Inhame-Pilado".

Um dia Auoledjê, que era um grande babalaô,
precisou partir de Ejigbô.
Antes disso, aconselhou Oxaguiã
que fizesse oferendas,
que tornariam o reino próspero.
Assim, como previa Auoledjê,
Ejigbô tornou-se uma grande cidade,
rica e bem guardada pelos bravos soldados de Oxaguiã.
O rei Elejigbô vivia em fausto entre os súditos,
por quem era chamado de "Kabiyesi",
que é o mesmo que Sua Majestade.
Na intimidade os amigos o chamavam de "Comedor-de-Inhame-Pilado",
mas em público isso era uma heresia.

Anos mais tarde, Auoledjê retornou a Ejigbô.
Ao adentrar a cidade, procurou logo por Oxaguiã.
"Onde está o Comedor-de-Inhame-Pilado?", perguntou.
Os soldados, que não o conheciam,
ficaram furiosos com tamanha insolência.
Isso era jeito de se referir ao rei?
Prenderam e maltrataram o desconhecido amigo de Kabiyesi.
Auoledjê ressentiu-se da humilhação.
Com seus poderes mágicos, vingou-se.
durante sete anos todas as catástrofes conhecidas,
e não faltando a seca, assolaram o reino de Oxaguiã.

Oxaguiã, desesperado, procurou os adivinhos.
E pelo oráculo eles viram a prisão de Auodjelê.
Um amigo do rei estava preso injustamente.
Oxaguiã correu para a prisão para libertar o velho amigo.
Oxaguiã libertou-o,
mas o amigo, ainda ressentido, escondeu-se na mata.
Elejigbô buscou o velho amigo, suplicando seu perdão.
Auodjelê cedeu com uma condição:
que nunca aquele povo se esquecesse dessa injustiça.
Todos os anos o povo deveria flagelar-se,
em memória do funesto acontecido.
Assim, todos os anos,
o rei deveria mandar muitas pessoas à floresta cortar varetas.
os súditos, divididos em dois grupos, tomariam as varas,
simulariam golpes uns nos outros, sem parar,
até que as varetas se quebrassem.
Para que nunca se esquecessem daquela injustiça
praticada contra o amigo de Oxaguiã.
Assim foi feito e o reino de Oxaguiã voltou à tranqüilidade
e Oxaguiã foi o maior dos reis de Ejigbô.
Quando ele foi para o Orum, transformado em orixá,
seu culto não se esqueceu do velho amigo babalaô.
Com as varetas de Oxaguiã, com os atoris,
seus adeptos renovam sempre a memória da injustiça,
para que ela não volte a acontecer.


[Notas Bibliográficas e Comentários]


Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás de Peginaldo Prandi, publicado pela Cia das letras, págs 491-2. Originalmente encontrado e/ou transcrito de Pierre Verger, 1981 (b), pp. 64-8; Verger, 1985, pp. 65-7. No Brasil e em Cuba, Oxaguiã é cultuado como qualidade de Oxalá-Orixalá. É dito Oxalá Jovem no Brasil e O Velho em Cuba. Na África é uma divindade independente. Na África, até hoje, todos os anos no final da estação da seca habitantes de dois bairros de Ejigbô reúnem-se e batem-se com varetas durante todo um dia, a fim de representar sua súplica para que a chuva retorne. Nos candomblés, tal costume é reproduzido no ciclo de festas em homenagem a Oxalá ( as Águas-de-Oxalá), especialmente na parte reservada a Oxaguiã (o Pilão de Oxaguiã), quando os devotos do terreiro se dividem em dois grupos que se batem com as varetas (atori), em rito de expiação.


Atori [àtòrì] - Vareta usada para flagelação em cerimônia a Oxaguiã; representa os ancestrais; vara da árvore africana Glyphaea lateriflora.


Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

A emocionante entrega do Troféu Palmares

Chica Xavier, Mãe Neide e Alaíde do Feijão recebem as estatuetas, respectivamente, de Juca Ferreira, Zulu Araújo e Vovô

Mãe Neide D´Oxum, Alaíde do Feijão e Chica Xavier subiram ao palco do Teatro Nacional de Brasília, sexta-feira passada (20), para receber, simbolicamente, a homenagem pelo trabalho em benefício da sociedade brasileira: o prestigioso e significativo Troféu Palmares, concedido pelo Ministério da Cultura, por meio da Fundação Cultural Palmares, e que marca, também, os 22 anos de existência desta organização.

A vencedora do campo religioso, Mãe Neide D'Oxum, de Alagoas, recebeu a estatueta das mãos do presidente Zulu Araújo. "Um prêmio mais que merecido! Mãe Neide, além do importante acolhimento espiritual que realiza em Maceió, foi uma das primeiras a acudirem os nossos irmãos quilombolas, em união dos Palmares (AL), durante as enchentes ocorridas no estado", afirmou. Com um belo canto de saudação a Yemanjá, a sacerdotisa agradeceu à Palmares e às pessoas que nela votaram.

Para entregar o prêmio à vencedora do campo social, Alaíde do Feijão, subiu ao palco Antônio Carlos dos Santos - o Vovô -, ilustre fundador da agremiação Ilê Aiyê, de Salvador (BA). "Estou muito feliz por entregar este símbolo da Palmares para uma conterrânea! Alaíde é importante não só pela culinária que pratica, mas por tudo que já fez pelo movimento negro, que, ao longo dos anos, alimentou não apenas com seu famoso feijão, mas com idéias e coragem", resumiu Vovô.

Por fim, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, passou o troféu às mãos da atriz Chica Xavier, a vitoriosa candidata do campo cultural. Em agradecimento, Chica entoou um comovente canto de louvação aos deuses africanos. Juca Ferreira reverenciou a grande artista, precursora e símbolo de gerações e gerações de atrizes e atores negros, parabenizando a Fundação Cultural Palmares pelo importante trabalho de preservação e incentivo à cultura afro-brasileira realizado durante sua gestão.

Noite mais emocionante, impossível. 

Fonte: FCP (Por Sal Freire)
Foto: Sétima Produções | Divulgação Palmares

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

Sete divas e um oceano musical para Yemanjá




7 rainhas: Margareth Menezes, Luciana Mello, Rosa Marya Colin, Alaíde Costa, Mart´nália, Paula Lima e Daúde 




Maestro, orquestra e banda abrem o espetáculo

Concerto Mães D´Água - Yèyé Omó Ejá. Teatro completamente lotado. Entram orquestra, banda e maestro. Os primeiros acordes anunciam a grandeza da celebração. Todos vestindo branco no palco azul, beleza de espuma nas ondas do mar, berço de Yemanjá.

Sob a suave iluminação, emerge do oceano musical a primeira sereia da noite, ornada como deusa, com porte de rainha, Paula Lima, entoando, com sua voz especialíssima, Caminhos do mar, de Dorival Caymmi, Danilo Caymmi e Dudu Falcão. O público, desde o início arrebatado, aplaude ainda mais quando ouve uma outra voz, vinda das coxias, abraçar o canto de Paula: é Luciana Mello, com seu jeito de sereia-menina e um cativante sorriso no rosto, que vem cantando a bela Arrastão, de Edu Lobo e Vinícius de Morais. E é Luciana que continua (en)cantando, com Pedra e areia, de Lenine e Dudu Falcão.

Não poderia ser mais impactante a abertura do espetáculo, que trouxe aos holofotes do Teatro Nacional, em Brasília, sete sereias, divas, divindades negras da música brasileira. Concerto dedicado às mulheres e à grande mãe africana do Brasil, a senhora das águas Yemanjá, iyabá (orixá feminino) da mitologia afro-brasileira que indiscutivelmente é a mais louvada e cantada por todo País, e, por isso, escolhida pela Fundação Cultural Palmares para ser o fio condutor do show, que encerrou, em grande estilo, as comemorações do seu aniversário de 22 anos.

E o espetáculo continua num crescendo de emoção. Quem vem pra beira do mar, de Dorival Caymmi,Canto de Iemanjá, de Baden Powell e Vinícius de Moraes, e Conto de areia, de Romildo S. Bastos e Toninho Nascimento, são as perólas seguintes, ofertadas à Rainha das Águas pelas ilustres sereias-mães Rosa Marya Colin e Alaíde Costa. O lirismo, a suavidade e o romantismo emprestados às músicas pela voz destas maravilhosas cantoras enfeitiçaram de tal modo os navegantes dessa nau sonora, que, por pouco, muitos não se atiraram ao mar, em busca da eternidade deste momento de perfeição estética.

Margareth Menezes, diva negra do poder, força e afirmação, chega com o grande Candeia, da velha-guarda da Portela, avisando que O mar serenou "quando ela pisou na areia....", arrancando ovações da platéia. E o que parecia impossível aconteceu, mais entusiasmo ainda no ambiente com a entrada dadiva-contra-diva Mart´nália, fazendo um surpreendente dueto com Margareth em Rainha do mar, de Dorival Caymmi. Com sua autenticidade, irreverência e um admirável "jogo de cintura", provado ao driblar, com maestria, o esquecimento da letra de Na beira do mar, de Mateus e Dadinho, Mart´nália conquista as palmas e o afeto da platéia.

E a esperada última sereia da noite, Daúde, pousa como uma libélula dourada nestas águas simbólicas já repletas de ricas oferendas musicais à Rainha do Mar. Seu timbre, sofisticado e originalíssimo, transformou Agradecer e abraçar, de Vevé Calazans e Gerônimo, e Lenda das sereias, de Vicente, Dionel e Veloso, em dois luxuosos presentes oferecidos a Yemanjá, nesta noite memorável, imortalizada pela gravação ao vivo de um DVD.

Os brilhantes solos e duetos sustentaram o espetáculo até o final, quando as sete divas, em um encontro emocionante, cantaram juntas Dois de fevereiro, o grande hino a Yemanjá composto pelo baiano Dorival Caymmi.

Embora a conexão entre as divas e a divindade - suas sete representações - permeasse toda a concepção do espetáculo, o mimetismo não se expressou de forma óbvia. O figurino, criativo e belíssimo, e a iluminação, que realçava, com sensibilidade, o clima de cada canção, foram os ´detalhes´ que fizeram a diferença, complementando, com brilho e luxo, do jeito que Yemanjá gosta, este grandioso espetáculo.

Parabéns, Palmares!


Fonte: FCP (Por Sal Freire)
Fotos: Sétima Produções | Divulgação Palmares

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

sábado, 21 de agosto de 2010

O memorável encontro de sete divindades negras


Alaíde Costa, Daúde, Luciana Mello, Margareth Menezes, Mart´nalia, Paula Lima e Rosa Marya Colin



"Yèyé significa mãe, em yoruba; yèyé omó ejá[1], mãe cujos filhos são peixes; mãe d´água - ou Iemanjá. Mito africano, reverenciado em quase todo o mundo, Iemanjá nasceu negra, mas foi embranquecendo, na esteira do mimetismo dos negros escravizados com a cultura de seus dominadores. Para reafirmar as origens desta bela lenda, sobem ao palco do Teatro Nacional de Brasília, nesta sexta-feira (20), sete grandes intérpretes negras da Música Popular Brasileira.


Mães D´Água - Yèyé Omó Ejá, o concerto produzido pela Fundação Cultural Palmares para celebrar seus 22 anos de criação, promove um inédito encontro entre Alaíde Costa, Daúde, Luciana Mello, Margareth Menezes, Mart´nália, Paula Lima e Rosa Marya Colin, que, sob a regência do maestro Ângelo Rafael Fonseca, executarão um repertório composto por canções que saúdam a rainha das águas. Como linha-guia do concerto, os sete mais conhecidos arquétipos da iyabá (feminino de orixá) das águas."

Esta é a descrição do Espetáculo dirigido por Fábio Espírito Santo, Mães D'Água, no qual as sete cantoras convidadas representaram as sete Iemanjás. O espetáculo, que aconteceu ontem, poderá chegar às nossas casas através do DVD gravado na ocasião. Poder compartilhar notícias sobre o sucesso de iniciativas culturais que enobrecem as religiões afro-brasileiras é, indiretamente, endossá-las com o orgulho e muito axé. Que a despeito do preconceito (contra o qual sempre lutaremos) possamos desenvolver as nossas atividades e pautar o nosso trabalho na seriedade de quem tem amor pela religião e pelos orixás. Que estes sejam a chancela de integridade presente na FCP e também no Yaônilé.

Fonte: FCP

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

Fundação Palmares completa 22 anos!

Parabéns para todos nós, de fato! A Fundação Palmares é uma entidade pública vinculada ao Ministério da Cultura - Minc, instituída pela Lei Federal nº 7.668, de 22.08.88, tendo o seu Estatuto aprovado pelo Decreto nº 418, de 10.01.92.

O artigo 215 da Constituição Federal de 1998 assegura que o "Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais populares, indígenas e afro-brasileiras, e de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional".

A FCP/Minc formula e implanta políticas públicas que têm o objetivo de potencializar a participação da população negra brasileira no processo de desenvolvimento, a partir de sua história e cultura.

A FCP tem como Visão de Futuro consolidar-se como instituição de referência nacional e internacional na formulação e execução de políticas públicas da cultura negra, sendo sua missão promover a preservação, a proteção e a disseminação da cultura negra visando à inclusão e ao desenvolvimento da população negra no Brasil.

Crenças e princípios que norteiam as ações e as condutas da FCP:

COMPROMETIMENTO: Envolvimento no combate ao racismo, na promoção da igualdade, valorização, difusão e preservação da cultura negra.

CIDADANIA: Exercício dos direitos e garantias individuais e coletivos da população negra em suas manifestações culturais.

DIVERSIDADE: Reconhecimento e respeito às identidades culturais.

Transcrevo abaixo o discurso do Presidente da FCP, Zulu Araújo, sobre o aniversário da Palmares.

"Estamos, literalmente, com o pé - e o coração - na estrada! Ao completar 22 anos de criação, a Fundação Cultural Palmares, orgulhosamente, comemora essa data especial em sete capitais brasileiras, promovendo o encontro de grupos, artistas e manifestações culturais afro-brasileiras. 

Nesse mês de festa, gostaríamos de chegar aos 26 estados brasileiros; de estar próximos do nosso povo, congregando os sotaques e ritmos de nossas mais de 5.500 cidades. A vontade ainda não pôde ser concretizada, mas estamos trabalhando para não deixar qualquer manifestação, qualquer grupo, qualquer brasileiro fora da comemoração. Essa é a nossa meta.

As atividades que ora a Fundação Cultural Palmares oferece aos brasileiros e brasileiras foram sonhadas, organizadas e concretizadas por dezenas de mãos ávidas por uma comemoração à altura de nossas conquistas - uma festa tecida com arte, poesia e engajamento, viabilizada com recursos e apoio incondicional do Ministério da Cultura. 

Esse ano, a programação comemorativa dos 22 anos de ação e militância cultural da Fundação Palmares homenageia, em especial, as mulheres brasileiras. Todas elas! Mulheres que marcaram com força, inteligência, ousadia, perseverança e graça a sua participação na história desse negro País.

Nas ruas, nos palcos, nas salas de aula, nas comunidades, sozinhas, em família ou em grupos, a mulher enfrentou desafi os múltiplos - preconceitos, desconfi anças, exclusões -, transformando, com criatividade, a realidade, sem abrir mão de sua condição feminina e fazendo por merecer esta e outras homenagens.

Chegamos a 2010 com a certeza de que passos largos já foram dados; de que a luta não é a mesma; de que as forças, reconfi guradas, ganharam outros nomes, novos desafi os, contornos muitas vezes mais sutis, porém não menos cruéis; e portanto de que seguiremos lutando. Esse é o nosso compromisso. Afi nal, nós, que portamos na cor da pele a identidade desse País, não temos o direito de nos acomodar.

O show tem que continuar! Axé!"

Parabéns à Fundação Cultural Palmares pelo brilhante trabalho desenvolvido junto às comunidades negras do Brasil e esperamos que nossas motivações sejam somadas para o engrandecimento da cultura afro-brasileira e afro-religiosa.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!