domingo, 31 de outubro de 2010

Bem vinda, Carol!

Após um longo período de espera ela chegou! A partir de ontem temos em nossa Cia a doçura, a leveza e o encanto de Ane Caroline, a nossa Carol, que chega para reforçar ainda mais a família Yaônilé.

É a família crescendo e o amor agregando mais e mais pessoas!

Seja Bem Vinda, Carol!


Quer saber mais sobre Carol? Acesse o seu Perfil no Orkut!

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

sábado, 30 de outubro de 2010

Yaônilé é o grupo Oficial da Lavagem da Conceição!



8 de dezembro é dia de fé, de emoção, de alegria, é dia de Axé! A partir do raiar do sol o Yaônilé estará na Colina do Santo Antônio para puxar o cortejo da 28ª Lavagem da Conceição enchendo as ruas de brilho e beleza em homenagem à Rainha do ouro, da riqueza e do amor, Oxum.


A parceria ocorre desde 2009 através da Ialorixá Angélica Oliveira, presidente da ASSERMAN, uma das mais queridas e prestigiadas mãe-de-santo do estado e responsável pelo evento que a cada ano se supera em qualidade, número de fiéis e emoção. Em 2010 a grandiosidade será outra marca da Lavagem que passa a fazer parte do calendário cultural e festivo de Aracaju.


A estética visual aliada à fé praticada durante todo o trajeto asseguram à festa o caráter de uma das mais belas e  prestigiadas manifestações afro-brasileiras de Sergipe ainda mais após a conquista de todo o povo de santo com a escolha da data para representar o Dia da Mulher Negra Afro-religiosa segundo Lei Nº100/2009, também uma conquista da Iá Angélica junto à Deputada Ana Lúcia.

O Cortejo segue o seguinte roteiro: colina do bairro Santo Antônio; Rua João Ribeiro; Rua Simeão Sobral, Avenida Rio Branco e Ivo do Prado, passando pela Praça Fausto Cardoso e chegando ao destino final, que é a Praça Teófilo Dantas, onde se encontra a Catedral Metropolitana de Aracaju.



É o Yaônilé ratificando seu compromisso de propagação da fé e de combate ao preconceito e à intolerância religiosa com força e determinação. Nós não estamos conquistando nosso espaço em vão. É o resultado de um trabalho sério, digno e comprometido com o legado cultural africano e afro-brasileiro.

Ainda no dia 08 o Yaônilé se une ao Afoxé Akueran para continuar as comemorações de seu primeiro aniversário na Orla de Atalaia, saudando com vigor e emoção a nossa Mãe Oxum.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Yaônilé e Afoxé Akueran selam parceria!

A orla de Atalaia será palco de um encontro memorável. O dia 08 de dezembro de 2010, dia de Oxum e nosso primeiro aniversário, marcará a parceria entre a Associação Afro Cultural Akueran e o Yaônilé Cia de Dança Afro e Negra Contemporânea Brasileira em um cortejo que encherá a avenida de Música, Dança, Fé e Axé!


O Bloco de Afoxé Akueran, além de seu poder ritualístico, promove uma grande manifestação popular, artística e cultural afro-brasileira e sergipana trazendo para 2010 o tema "YABÁ ORI IJEXÁ - Mulheres do mundo AKUERAN" em homenagem ao recém instituído Dia da Mulher Negra Afro-religiosa também comemorado no dia 08 de dezembro.

O Akueran é regido pelo Orixá Logun-Edé e foi criado no seio de Ilê Axé Dematá Ní Sáhara desde agosto de 2007, tendo como idealizador e presidente o Babalorixá Fernando Kassideran, uma das mais ilustres autoridades candomblecistas do estado.


Nos sentimos honrados com o convite e mais ainda com a oportunidade de desfilarmos a musicalidade Ijexá dos tambores Akueran em homenagem à nossa mãe, a Dourada Rainha, Oxum. Homenagem essa que o Yaônilé também fará na manhã do dia 08. Quer saber mais? Contamos no próximo post!

Saiba mais sobre o Afoxé Akueran!

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

Yaônilé na Mídia #4 - Coluna Yaônilé

Para crescer é necessário ousar, investir, arriscar. E é em uma iniciativa vanguardista que damos mais um passo à frente. A partir de hoje, o Yaônilé é também coluna quinzenal do site Seligue.com sob a assinatura do nosso diretor, Danilo Aguiar.


A idéia da coluna comunga com o objetivo do blog só que será trabalhada a partir de  uma linguagem mais objetiva. O leitor do Seligue.com terá a oportunidade de conhecer o trabalho desenvolvido pelo Yaônilé bem como se inteirar da atual conjectura das manifestações afro-brasileiras em Sergipe e no Brasil e a nossa participação em seu processo construtivo e reformulatório. Falamos em reformular o contexto social em que estamos inseridos como objetivo primordial de qualquer ação, seja ela afirmativa ou teórica, que este grupo realize.


As publicações serão quinzenais e, durante essa fase de testes e adaptações, gostaríamos de contar com a sua opinião para que o nosso trabalho seja sempre pautado nas suas expectativas enquanto espectador.  O objetivo não é alcançá-las mas sempre superá-las. 

Agradecemos o convite dos queridos Ramon Menezes e Eduardo Gimenez reiterando que esta é uma tácita declaração de comprometimento moral para com a cultura africana e afro-brasileira, suas vertentes e também um mergulho no entendimento de nossa gênese, uma volta aos navios negreiros que embalaram os sonhos dos nossos antepassados.


Confiram a estréia da coluna!


Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

Bem Vinda, Deyse!

Nossa família não pára de crescer! Temos a benção e as mãos de Oxóssi que nos promove tamanha fartura em todos os sentidos! É com prazer que anunciamos a entrada da bailarina Deyse Silva em nosso grupo trazendo sua experiência em danças folclóricas fortalecendo ainda mais a nossa equipe.

E assim, comemorando com novos membros, nossa Cia de Dança vai se preparando para o grande dia, 08 de dezembro, aniversário de um ano do Yaônilé!


Saiba mais sobre a Deyse acessando o seu perfil no Orkut.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

Bem Vindo de Volta, Tatá!

E após um período em Pernambuco nossa ovelha desgarrada está de volta! Estamos muito felizes por tê-lo junto a nós de novo, Tarcísio! E agora é recuperar o tempo perdido e já veremos Tatá no palco em nossas próprias apresentações.


É a família Yaônilé que se reúne, ganha mais força, mais amor, mais Axé!



Quer conhecer melhor o Tatá? Encontre-o aqui!


Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Yaônilé por quem assistiu. #7 | Anônimo

Lembram da nossa apresentação na Faculdade Amadeus? O comentário que se segue não é apenas uma simples opinião. O comentário principal é seguido de dois outros: as respostas da Gisélia, coordenadora do Curso de Administração e e do Anderson Costa, mediador do convite à apresentação e admirador do Yaônilé.
Acompanhem.


Em 12 de Outubro de 2010, às 1:28, Anônimo escreveu:

Gisélia,

Quero aqui expressar minha decepção e revolta para com este Café Filosófico, primeiro o desrespeito com aluno tendo mais de 50 minutos de atraso, depois uma apresentação paralela que dura o dobro* de tempo da principal, independente de religião ou crenças é preciso saber selecionar apresentações neutras que não ferem princípios e valores, não só eu porém vários alunos sairam revoltados de um Café Filosófico mesquinho e inútil.

Em 13 de Outubro de 2010, às 01:16:42, Gisélia escreveu:

Prezado(a).....

Desculpe não referir-me ao seu nome porque vc não se identificou, o que lamento profundamente, e sei que este não é o pensamento do todos os alunos do 5º periodo de Administração..

Inicialmente, gostaria de informar que a apresentação de dança afro, demorou mais do que o previsto e isso não era o combinado*. Foi um imprevisto, que pode ocorrer em qualquer evento.

Quanto à seleção da apresentação, tenho a informar que, para pessoas que admiram cultura e conhecimento, independente de credo ou preconceitos, a apresentação artística foi aplaudida e agradou a muitos. Lembre-se sempre deste pensamento "Não sei a receita do sucesso, mas, agradar a todo mundo é a receita do fracasso".

Tenha certeza de que em nenhum momento, a apresentação teve a intenção de ferir princípios e valores até porque este é o primeiro valor do Grupo AMADEUS.

Quanto à sua classificação "mesquinho e inútil" , prefiro desconsiderar e te convidar para uma conversa na Coordenação do Curso.

Entretanto, respeito as suas considerações porque, como dizia Henri Frederic Amiel, filósofo francês "A bondade é o pricípio do tato e o respeito pelos outros é a primeira condição para saber viver."

Atenciosamente,

Profª. M.Sc. Gisélia Varela
Coordenadora do Curso de Administração
FAMA - Faculdade Amadeus
(79) 2105-2036


Em 26 de Outubro de 2010, às 03:53:21, Anderson escreveu:

Boa noite caros Colegas!

Devido a compromissos laborais estive ausente das aulas por 10 dias. Fico muito surpreso e espantado com tamanho comentário.

O Brasil é uma país multicultural e trazer parte das cultura a um evento chamado "Café Filosófico", ao meu ponto de vista não seria desrespeito. Como a Gisélia já falou, a apresentação foi sim além do programado*. Mas, essa não é a primeira vez que lidamos com atrasos em eventos.

O comentário do(a) colega anônimo(a) faz referência a "ferir princípios e valores". Em momento algum recordo-me de o grupo impor nemhum tipo de crença. Foi apenas uma apresentação teatral baseada na cultura afro. Para mim, parace absurda a idéia de que um(a) aluno(a) em formação superior não consiga discernir sobre isso.

Bem, talvez eu seja suspeito para falar sobre o grupo. Afinal, admiro (asim como muitas pessoas admiraram) o trabalho desenvolvido pelo grupo Yaôliné e ajudei/mediei a sua apresentação no evento. Mas, a quem interessar, o grupo vem desenvolvendo ao longo de 01 ano de existência um belo e reconhecido trabalho de preservação e exaltação da cultura negra. Já se apresentou em projetos de extensão da Universidade Tiradentes, na Polícia Militar, em eventos culturais, etc. Pesquisem, caso tenham interesse.

Enfim, os aplausos direcionados ao grupo ao fim da apresentação falam por si. Caso existissem tantos alunos ofendidos/revoltados, isto não teria ocorrido. E lembrem-se: na história humana, sempre que se acreditou haver apenas um credo, uma verdade, uma cultura, valores e princípios incontestáveis; foi quando registramos os maiores genocídios, desrespeito ao ser humano e privação da liberdade. 

Acreditem na diferença e respeitem a todos!

Anderson Costa
5º ADM

Posição Oficial do Yaônilé

É difícil acatar a crítica de quem não se identifica da mesma forma que é impossível ignorá-la. O Yaônilé, enquanto Cia de Dança Afro, não tem a intenção de vender ideologias, nós oferecemos cultura e conhecimento. Quem de fato se interessa em obtê-lo não se oporia a ele, muito menos iria repudiá-lo.

Na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, na qual todos os cidadãos tenham a possibilidade de expressar sua arte sem serem atacados direta ou indiretamente, nós queremos ser referência e, para isso, não nos deteremos frente ao preconceito e à alienação de quem, no mínimo, não tem a hombridade de assumir publicamente a sua opinião. 

Temos o respaldo de sermos, apesar da tenra idade, um dos grupos mais admirados da cidade por vários motivos. Temos a chancela de qualidade que só as mais de 10 mil pessoas que já nos assistiram conseguem assegurar. Trabalhamos com dedicação, afinco e amor. Semeamos a arte em favor da disseminação do respeito, da igualdade e da soberania da paz, para que essa densa névoa de preconceito se dissipe de nossa sociedade. Leiam o que o Mestre Fernando Lins afirmou sobre essa apresentação.

Princípios e valores são feridos quando as pessoas deixam de respeitá-los. E é sempre bom lembrar que preconceito continua sendo crime.

Obs.: O Yaônilé apresentou uma coreografia ininterrupta de 39'11'' seguindo o acordo que estipulava o prazo de 40'. Registros em áudio comprovam.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Oiá transforma-se num búfalo

Oiá transforma-se num búfalo


Ogum caçava na floresta quando avistou um búfalo.
Ficou na espreita, pronto para abater a fera.
Qual foi sua surpresa ao ver que, de repente,
de sob a pele do búfalo saiu uma mulher linda.
Era Oiá. E não se deu conta de estar sendo observada.
Ela escondeu a pele de búfalo
e caminhou para o mercado da cidade.

Tendo visto tudo, Ogum aproveitou e roubou a pele.
Ogum escondeu a pele de Oiá num quarto de sua casa.
Depois foi ao mercado ao encontro da bela mulher.
Estonteado por sua beleza, Ogum cortejou Oiá.
Pediu-a em casamento.
Ela não respondeu e seguiu para a floresta.
Mas lá chegando não encontrou a pele.
Voltou ao mercado e encontrou Ogum.
Ele esperava por ela, mas fingiu nada saber.
Negou haver roubado o que quer que fosse de Iansã.
De novo, apaixonado, pediu Oiá em casamento.
Oiá, astuta, concordou em se casar
e foi viver com Ogum em sua casa,
mas fez as exigências:
ninguém na casa poderia referir-se a ela
fazendo qualquer alusão a seu lado animal.
Nem se poderia usar a casca do dendê para fazer o fogo,
nem rolar o pilão pelo chão da casa.
Ogum ouviu seus apelos e expôs aos familiares as condições
para todos conviverem em paz com sua nova esposa.
A vida no lar entrou na rotina.
Oiá teve nove filhos
e por isso era chamada Iansã, a mãe dos nove.
Mas nunca deixou de procurar a ppele do búfalo.

As outras mulheres de Ogum cada vez sentiam-se enciumadas.
Quando Ogum saía para caçar e cultivar o campo,
eles planejavam uma forma de descobrir
o segredo da origem de Iansã.
Assim, uma delas embriagou Ogum e este lhe revelou o mistério.
E na ausência de Ogum, as mulheres passam a cantarolar coisas.
Coisas que sugeriam o esconderijo da pele de Oiá
e coisas que alufiam ao seu lado animal.
Um dia, estando sozinha em casa,
Iansã procurou em cada quarto, até que encontrou sua pele.
Ela vestiu a pele e esperou que as mulheres retornassem.
E então saiu bufando, dando chifradas em todas, abrindo-lhes a barriga.
Somente seus nove filhos foram poupados.
E eles, desesperados, clamavam por sua benevolência.
O búfalo acalmou-se, os consolou e depois partiu.
Antes, porém, deixou com os filhos o seu par de chifres.
Num momento de perigo ou de necessidade,
seus filhos deveriam esfregar um dos chifres no outro.
e Iansã, estivesse onde estivesse,
viria rápida como um raio em seu socorro.


[Notas bibliográficas e Comentários]
Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi publicado pela Cia das Letras, págs 297-9. Originalmente transcrito por Pierre Verger, 1980, p.292; Verger, 1981 (a), p.161; Verger, 1981 (b), pp. 45-8; Verger, 1985, pp. 37-41; Rosamaria Susanna Barbàra, 1999, p. 62; Ulli Beier, 1980, pp. 33-34.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

Xangô é reconhecido como orixá da justiça




Xangô e seus homens lutavam com um inimigo implacável.
Os guerreiros de Xangô, capturados pelo inimigo,
eram mutilados e torturados até a morte, sem piedade ou compaixão.
As atrocidades já não tinham limites.
O inimigo mandava entregar a Xangô seus homens aos pedaços.
Xangô estava desesperado e enfurecido.
Xangô subiu no alto de uma pedreira perto do acampamento
e dali consultou Orunmilá sobre o que fazer.
Xangô pediu ajuda a Orunmilá.
Xangô estava irado e começou a bater nas pedras com o oxé,
bater com seu machado duplo.
O machado arrancava das pedras faíscas,
que acendiam no ar famintas línguas de fogo,
que devoravam os soldados inimigos.
A guerra perdida foi se transformando em vitória.

Xangô ganhou a guerra.
Os chefes inimigos que havaim ordenado
o massacre dos soldados de Xangô
foram dizimados por um raio que Xangô disparou no auge da fúria.
Mas os soldados inimigos que sobreviveram
foram poupados por Xangô.
A partir daí, o senso de justiça de Xangô
foi admirado e cantado por todos.
Através dos séculos,
os orixás e os homens têm recorrido a Xangô
para resolver todo tipo de pendência,
julgar as discordâncias e administrar justiça.


[Notas Bibliográficas e Comentários]
Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi, publicado pela Cia das Letras, pág 245. Originalmente encontrado em Rita de Cássia Amaral, pesquisa de campo, São Paulo, 1986.


Oxé [osé] - Machado duplo de Xangô.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Ossaim dá uma folha para cada orixá




Ossaim, filho de Nanã e irmão de Oxumarê, Euá e Obaluaê,
era o senhor das folhas, da ciência e das ervas,
o orixá que conhece o segredo da cura e o mistério da vida.
Todos os orixás recorriam a Ossaim
para curar qualquer moléstia, qualquer mal do corpo.
Todos dependiam de Ossaim na luta contra a doença.
Todos iam a casa de Ossaim oferecer seus sacrifícios.
Em troca Ossaim lhes dava preparados mágicos:
banhos, chás, infusões, pomadas,
abô, beberagens.
Curava as dores, as feridas, os sangramentos;
as disinterias, os inchaços e fraturas;
curava as pestes, febres, órgãos corrompidos;
limpava a pele purulenta e o sangue pisado;
livrava o corpo de todos os males.
Um dia Xangô, que era o Deus da justiça,
julgou que todos os orixás deveriam compartilhar o poder do Ossaim,
conhecendo o segredo das ervas e dom da cura.
Xangô sentenciou
que Ossaim dividisse suas folhas com os outros orixás.
Mas Ossaim negou-se a dividir suas folhas com os outros orixás.
Xangô então ordenou
que Iansã soltasse o vento e trouxesse ao seu palácio
todas as folhas das matas de ossaim
para que fossem distribuídas aos orixás.
Iansã fez o que xangô determinara.
Gerou um furacão que derrubou as folhas das plantas
e as arrastou pelo ar em direção ao palácio de Xangô.
Ossaim percebeu o que estava acontecendo e gritou:
"Euê uassá!"
"As folhas funcionam!"
Ossaim ordenou às folhas que voltassem às suas matas
e as folhas obedeceram às ordens de Ossaim.
Quase todas as folhas retornaram para Ossaim.
As que já estavam em poder de Xangô perderam o axé,
perderam o poder da cura.



O orixá-rei que era um orixá justo,
admitiu a vitória de Ossaim.
Entendeu que o poder das folhas devia ser exclusivo de Ossaim
e que assim devia permanecer através dos séculos.
Ossaim, contudo, deu uma folha para cada orixá,
deu uma euê para cada um deles.
cada folha com seus axés e seus ofós,
que são as cantigas de encantamento,
sem as quais as folhas não funcionam.
Ossaim distribuiu as folhas aos orixás
para que eles não mais o invejassem.
Eles também podiam realizar proezas com as ervas,
mas os segredos mais profundos ele guardou para si.
Ossaim não conta seus segredos para ninguém,
Ossaim nem mesmo fala.
Fala por ele seu criado Aroni.
Os orixás ficaram gratos a Ossaim
e sempre o reverenciam quando usam as folhas.



[Notas Bibliográficas e Comentários]
Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi, publicado pela Cia das Letras, págs 153-4. Originalmente encontrado em Lydia Cabrera, 1954, p. 100; Pierre Verger, 1957, p. 230 [1999, p. 228]; Roger Bastide, 1978, pp. 155-6; Verger, 1985, p. 24; José Flávio Pessoa de Barros, 1989, p. 23; Agenor Miranda Rocha, 1994, p. 78.


Abô [àgbo] - Infusão de água com folhas maceradas e outras substâncias como mel, sangue, etc.
Axé [àse] - Força mística dos orixás, força vital que transforma o mundo.
Euê [ewé] - Folha.
Ofó [ofó] - Cantiga de encantamento.


Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

Ogum mata seus súditos e é transformado em orixá

Ogum, filho de Odudua, sempre guerreava,
trazendo o fruto da vitória para o reino de seu pai.
Amante da liberdade e das aventuras amorosas,
foi com uma mulher chamada Ojá que Ogum teve o filho Oxóssi.
Depois amou Oiá, Oxum e Obá,
as três mulheres de seu maior rival, Xangô.
Ogum seguiu lutando e tomou pra si a coroa de Irê,
que na época era composto de sete aldeias.
Era conhecido como Onirê, o rei de Irê,
deixando depois o trono para seu próprio filho.

Ogum era o rei de Irê, Omi Irê, Ogum Onirê.
Ogum usava a coroa sem franjas chamada acorô.
Por isso também era chamado de Ogum Alacorô.
Conta-se que, tendo partido para a guerra,
Ogum retornou a Irê depois de muito tempo.
Chegou num dia em que se realizava um ritual sagrado.
A cerimônia exigia a guarda total do silêncio.
Ninguém podia falar com ninguém.
Ninguém podia dirigir o olhar para ninguém.
Ogum sentia sede e fome, mas ninguém o atendia.
Ninguém o ouvia, ninguém falava com ele.
Ogum pensou que não havia sido reconhecido.
Ogum sentiu-se desprezado.
Depois de ter vencido a guerra,
sua cidade não o recebia.
Ele, o rei de Irê!
Não reconhecido por sua própria gente!
Humilhado e enfurecido, Ogum, espada em punho,
pôs-se a destruir a tudo e a todos.
Cortou a cabeça de seus súditos.
Ogum lavou-se com sangue.
Ogum estava vingado.
Então a cerimônia religiosa terminou
e com ela a imposição de silêncio foi suspensa.
Imediatamente, o filho de Ogum,
acompanhado por um grupo de súditos,
ilustres homens salvos da matança,
veio á procura do pai.
Eles renderam as homenagens devidas ao rei
e ao grande guerreiro Ogum.
Saciaram sua fome e sede.
Vestiram Ogum com roupas novas,
cantaram e dançaram pra ele.
Mas Ogum estava inconsolável.
Havia matado quase todos os habitantes da sua cidade.
Não se dera conta das regras de uma cerimônia
tão importante para todo o reino.
Ogum sentia que já não podia ser o rei.
E Ogum estava arrependido de sua intolerância,
envergonhado por tamanha precipitação.
Ogum fustigou-se dia e noite em autopunição.
Não tinha medida seu tormento,
nem havia possibilidade de autocompaixão.
Ogum então enfiou sua espada no chão
e num átimo de segundo a terra se abriu
e ele foi tragado solo abaixo.
Ogum estava no Orum, o Céu dos deuses.
Não era mais humano.
Tornara-se um orixá.

[Notas Bibliográficas e Comentários]
Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi, publicado pela Cia das Letras, págs 89-91. Originalmente encontrado em Pierre Verger, 1957, p. 142 [1999, p. 152]; Ulli beier, 1980, pp. 34-5; Verger, 1980, p.286; Verger, 1981 (b), pp. 23-4; Verger, 1985, p. 15; Agenor Miranda Rocha, 1994, pp. 70-2.

Acorô [Kóró] - Pequena coroa usada por Ogum.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

Exu come tudo e ganha o privilégio de comer primeiro




Exu era o filho caçula de Iemanjá e Orunmilá,
irmão de Ogum, Xangô e Oxóssi.
Exu comia de tudo
e sua fome era incontrolável.
Comeu todos os animais da aldeia em que vivia.
Comeu os de quatro pés e comeu os de pena.
Comeu os cereais, as frutas, os inhames, as pimentas.
Bebeu toda a cerveja, toda a aguardente, todo o vinho.
Ingeriu todo o axeite-de-dendê e todos os obis.
Quanto mais comia, mais fome Exu sentia.
Primeiro comeu tudo de que mais gostava,
depois começou a devorar as árvores,
os pastos, e já ameaçava engolir o mar.
Furioso, Orunmilá compreendeu que Exu não pararia
e acabaria por comer até mesmo o Céu.
Orunmilá pediu a Ogum
que detivesse o irmão a todo custo.
Para preservar a Terra e os seres humanos e os próprios orixás,
Ogum teve que matar o próprio irmão.

A morte, entretanto, não aplacou a fome de Exu.
Mesmo depois de morto
podia-se sentir sua presença devoradora,
sua fome sem tamanho.
Os pastos, os mares, os poucos animais que restavam,
todas as colheitas, até os peixes iam sendo consumidos.
Os homens não tinham mais o que comer
e todos os habitantes da aldeia adoeceram
e de fome, um a um, foram morrendo.
Um sacerdote da aldeia consultou o oráculo de Ifá
e alertou Orunmilá quanto ao maior dos riscos:
Exu, mesmo em espírito, estava pedindo sua atenção.
Era preciso aplacar a fome de Exu.
Exu queria comer.
Orunmilá obedeceu ao oráculo e ordenou:
"Doravante, para que Exu não provoque mais catástrofes,
sempre que fizerem oferendas aos orixás
deverão em primeiro lugar servir comida a ele".
Para haver paz e tranquilidade entre os homens,
é preciso dar de comer a Exu,
em primeiro lugar.

[Notas Bibliográficas e Comentários]
Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi, publicado pela Cia das Letras, págs 45-6. Originalmente encontrado em Rita de Cássia Amaral, pesquisa de campo, São Paulo, 1986. Em todas as cerimônias do candomblé, Exu é sempre o primeiro a receber homenagens e sacrifícios. Outros mitos também tratam dessa prerrogativa de Exu.

Obi [Obì] - Noz-de-cola, fruto africano aclimatado no Brasil (Cola acuminata, Streculicea), indispensável nos ritos de candomblé; substituído em Cuba pelo coco.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

domingo, 17 de outubro de 2010

Beija-Flor, um espetáculo azul e branco!



A Beija-Flor de Nilópolis nasceu nas comemorações do Natal de 1948. Um grupo formado por Milton de Oliveira (Negão da Cuíca), Edson Vieira Rodrigues (Edinho do Ferro Velho), Helles Ferreira da Silva, Mário Silva, Walter da Silva, Hamilton Floriano e José Fernandes da Silva resolveu formar um bloco que, depois de várias discussões, por sugestão de D. Eulália de Oliveira, mãe de Milton, recebeu o nome de Beija-Flor (inspirado no Rancho Beija-Flor, que existia em Marquês de Valença). Dona Eulália foi admitida como fundadora.

Em 1953, o Bloco Associação Carnavalesca Beija-Flor, vitorioso no bairro, foi inscrito por Silvestre David do Santos (Cabana) integrante da ala dos compositores, como escola de samba, na Confederação das Escolas de Samba, para o desfile oficial de 1954, no segundo grupo.

No seu primeiro desfile, em 1954, foi campeã passando para o grupo I, no qual permaneceu até 1963. Em 1974, retornou para o Grupo I resultado do bom trabalho desenvolvido por Nelson Abraão David. Em 1977, Aniz Abraão David assume a Presidência e projeta a Escola de Samba de Nilópolis como uma das mais famosas do mundo.


A Beija-Flor emociona principalmente com a Ala das baianas. Aquelas lindas senhoras com suas grandes saias rodadas são verdadeiros reservatórios de emoção e amor capazes de dar legitimidade a qualquer agremiação. Uma escola de samba sem ala de baianas não é uma escola de samba. Fica-lhe faltando a alma, a essência, a raiz e a verdade. 

Sua musicalidade sempre foi louvada como uma expressão fundamental da alma brasileira, ecoando os cantos negros, os sons do interior do país e a essência musical popular. Em seus movimentos de braços e giros acumulavam-se devoções, procissões, cultos africanos, católicos, cortejos e danças religiosas traduzidas em apresentações únicas, soberbas, sempre louvadas pela intelectualidade e aplaudidas pelo público mesmerizado por uma “coreografia” popular e espontânea. Sua fantasia – baseada nas indumentárias tradicionais das baianas quituteiras que ocupavam as ruas do Rio de Janeiro desde finais do século XVIII – reunia itens tradicionais – como os panos da costa, os torsos, as saias rodadas e o balangandãs – a elementos singelos – como cestinhas de flores, pequenas bandeiras, aviões de plástico, réplicas de planetas – que ajudavam a contar o “enredo” apresentado pela escolas.


A responsabilidade social é uma constante para a Beija-Flor através das ações desenvolvidas junto à comunidade como ballet, educandário, creche, esportes, entre outros. O carnaval da Beija Flor traz em 2011 o tema "Roberto Carlos: A simplicidade de um rei". 

Saiba Mais sobre a Beija-Flor em seu site.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

Jauperi tá chegando por aqui!


Todo mundo deveria ouvir o Jau. Uma voz inconfundível, um talento, um axé. Jau me inspira profundamente e de maneira arrebatadora. Paixão mesmo, é fato! Quando vi esse banner no Twitter, corri pra cá pra compartilhar com vocês. Ele vai estar aqui em Aracaju!


A voz de Jau tem cor. É preta e vem do Olodum, da Bahia, da África, do Mundo. A voz de Jau tem sabor, é doce como a cana-de-açúcar, flambada na cachaça pura dos engenhos do nordeste. A voz de Jau tem luz, uma luz profana e sagrada, abençoada por Deus e respeitada por todos que fazem da música, sua profissão. Uma voz que chega, para no ar, invade as ruas, ecoa nas ladeiras e conquista Roma. A voz de Jau tem poder.

Menino moleque, nascido no Rio Vermelho em 27 de setembro de 1969, com a benção de São Cosme e São Damião, criado entre 14 mulheres, Jauperi Lázaro é a afirmação de que a música baiana é a música mais pop do Brasil. Suas composições, interpretadas por ele e vários artistas, ensinam a entender a nova Bahia, uma Bahia que não quer perder seu passado, mas não se admite em outro lugar que não seja o Topo do Mundo.


Em 1988, passou a integrar oficialmente o Olodum, como autor e intérprete, e faz sua primeira viagem para a Europa, onde participou dos mais importantes festivais de música como Montreux, Womad, Metisse Musique, e tocou com astros da música nacional e internacional como Paul Simon, Tracy Chapman, Joan Baez, Djavan, Marisa Monte e Paralamas do Sucesso. A precocidade do menino do Rio Vermelho também se mostrou em seu primeiro trabalho profissional aos 19 anos, ao vencer, em 1989, o Festival de Música e Arte do Olodum (Femadum) com a música Olodum, sonho e profecia e carimbar seu passaporte para o mundo musical.

Um dos mais prestigiados compositores baianos da atualidade com canções gravadas pelos grandes nomes da música baiana, Jau se supera a cada projeto. Prova disto foi o sucesso meteórico da banda Afrodisíaco - que depois mudou de nome passando a se chamar Vixe Mainha -, projeto criado junto com o parceiro desde os tempos do Olodum, Pierre Onassis, em 2005.


Emprestando sua voz para projetos como a trilha sonora do filme Ó Paí, Ó (ao lado de Caetano Veloso), Jau se firma também como um cantor baiano que passeia pelo universo do cinema brasileiro, esta outra arte que avassala e surpreende o mundo...como, aliás, a voz de Jau . 


A voz de Jau tem pele, tem sangue e pulsa. Ela sangra a canção e a dor vira beleza. Uma voz que tem textura, que é líquida e chove sobre nossos rostos num dia de verão.

Jau pela primeira vez em Aracaju. Você vai perder?

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

sábado, 16 de outubro de 2010

Besouro, O Filme


Um filme brasileiro de aventura, ação, misticismo e paixão, com a história de um mito da capoeira como pano de fundo, além de ter a cara, a cor, o sotaque e a gente da Bahia. A superprodução brasileira foi orçada em R$ 10 milhões e chama a atenção pelo fato de ser um filme de ação nacional, algo que o Brasil está pouco acostumado a fazer. Nome já conhecido de quem conhece a cultura da capoeira, presente em várias das suas ladainhas, Manoel Henrique Porteira, o Besouro, nasceu em 1897, em Santo Amaro - Recôncavo Baiano, e ganhou fama por ser um exímio capoeirista, além de sua postura nada subserviente em um Brasil ainda com fortes resquícios da época da escravidão. Um herói para o povo negro da época.






O filme é rico em história da capoeira, da resistência dos negros, do candomblé, conta uma parte da grande luta dos negros na valorização da sua etnia e cultura, a religiosidade afro-brasileira sem preconceitos, com respeito e reverência. No filme, os orixás são belos e nada tem a ver com os estereótipos preconceituosos que marcaram boa parte das abordagens realizadas até aqui pela cinematografia. A presença mágica dos orixás junto com as imagens da cidade de Igatu (BA) leva para o filme o que a Bahia tem de melhor, beleza, cultura e religiosidade. A fotografia do filme, feita pelo equatoriano Enrique Chediak, é perfeita, desde as lutas de capoeira até o besouro voando entre as barracas na feira. 


Besouro não é um filme para se ver como outros. O longa metragem de João Daniel Tikhomiroff nem precisava contar com sua bela direção de arte e com a atuação cheia de brilho de jovens atores – como Jéssica Barbosa – para se tornar memorável. O filme é um marco – símbolo de um país que começa a reencontrar-se com sua história. É isto o que faz de “Besouro” um dos mais importantes produtos da indústria cinematográfica brasileira nos últimos tempos. O filme baseado no livro Feijoada no Paraíso, de Marco Carvalho, contou com um orçamento nada modesto para os padrões brasileiros. E, desta forma, pôde lançar mão de recursos dignos de uma grande produção. O chinês Huen Chiu Ku – que trabalhou em filmes como Matrix, O Tigre e o Dragão e Kill Bill – foi o responsável pela coreografia das lutas registradas no filme. O herói negro salta, voa e é forte como qualquer herói de Hollywood. 


Finalmente o negro brasileiro chega às telas de cinema como herói, e não como bandido, vilão ou jogador de futebol.  “Besouro” não é um filme para ser apenas assistido, “Besouro” deve ser comemorado.

Para saber mais sobre Besouro acesse o Site Oficial.
Download do Jogo de Cartas Besouro (Brinde)
Canal Besouro no Youtube

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!