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segunda-feira, 23 de maio de 2011

"Como é bom poder ser ‘livre’" - Por Raoni Pinheiro

"A semana passada foi daquelas. Clima tenso no trabalho; cliente solicitando alterações no resultado de meses de dedicação, que ele mesmo acompanhou e aprovou, cuja repercursão em todas as partes faz qualquer linha a ser movida parecer uma nova ponte a ser construída; projetos extra-escritório que fizeram o trabalho se prolongar, agora em casa, até a madrugada de alguns dias seguintes, que ainda assim mantinham as mesmas vinte e quatro insuficientes horas.
Mesmo o débito crescente com o sono – acumulado desde semanas anteriores entremeadas por fins-de-semanas inteiros de aula –, não me impediu de visitar alguns ensaios do Yaônilé, em preparação para a apresentação na Semana Sergipana de Dança. Confesso que, em princípio, ir aos ensaios foi como desempenhar mais uma tarefa em um dia já cheio, tive até um pouco de raiva em existirem. Era um mistério como aquelas pessoas, que também trabalham e estudam, muitas vezes em rotinas ainda mais árduas que a minha, se propunham a dedicar mais energia para duas, três horas agitando seus corpos tão energicamente em ágeis movimentos que acompanhavam sons outrora tão enigmáticos, e até menosprezados, apesar de sempre presentes. Contive-me na resignação do meu cansaço.

No segundo ensaio que presenciei, Danilo insistentemente e, ainda, pacientemente, esforçava-se em fazê-los acertar a dança para Logum-Edé, e mesmo em meio a braços e pernas e corpos pululantes, algumas vezes oscilantes, outras errantes; caras menos empenhadas em divertir-se que a tirar melhor proveito do tempo; todos estavam ali, juntos e unidos, apesar de todas as adversidades, em um só objetivo. Empenhados também, por sua vez, em facilitar a assimilação, em absorver as instruções sem grandes objeções, todos desejavam uma coisa só: fazer o melhor.

Eu estava com eles. Eu não dançava, eu não chamava a atenção de algum menos atento para que fizesse certo, eu nem distinguia o que era, ou não, certo. Apenas perscrutava-os com o olhar, tentando absorver a particularidade, o sentido e a beleza de cada movimento e a magnitude de todos os movimentos juntos. Foi também o que fiz durante os breves 15 minutos de sexta-feira passada no foyer do Teatro Tobias Barreto. Mas agora qualquer esforço se fazia desnecessário, eu já não continha o que me tomava, minhas mãos e pernas tremiam, meu corpo quase levitava, uma nova eternidade se descortinava cintilante diante de meus olhos e dançante por dentro de minh’alma.

Como é bom poder ser ‘livre’.
Obrigado, Yaônilé."

Raoni Pinheiro é arquiteto, nascido em Brasília e domiciliado em Aracaju. Eterno curioso das possibilidades do estético, nutre-se delas para trabalhar em seus projetos. Idealista, é o filho do meio de Dona Cida e seu Antônio Saracura



Axé a todos nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Yaônilé por quem assistiu. #7 | Anônimo

Lembram da nossa apresentação na Faculdade Amadeus? O comentário que se segue não é apenas uma simples opinião. O comentário principal é seguido de dois outros: as respostas da Gisélia, coordenadora do Curso de Administração e e do Anderson Costa, mediador do convite à apresentação e admirador do Yaônilé.
Acompanhem.


Em 12 de Outubro de 2010, às 1:28, Anônimo escreveu:

Gisélia,

Quero aqui expressar minha decepção e revolta para com este Café Filosófico, primeiro o desrespeito com aluno tendo mais de 50 minutos de atraso, depois uma apresentação paralela que dura o dobro* de tempo da principal, independente de religião ou crenças é preciso saber selecionar apresentações neutras que não ferem princípios e valores, não só eu porém vários alunos sairam revoltados de um Café Filosófico mesquinho e inútil.

Em 13 de Outubro de 2010, às 01:16:42, Gisélia escreveu:

Prezado(a).....

Desculpe não referir-me ao seu nome porque vc não se identificou, o que lamento profundamente, e sei que este não é o pensamento do todos os alunos do 5º periodo de Administração..

Inicialmente, gostaria de informar que a apresentação de dança afro, demorou mais do que o previsto e isso não era o combinado*. Foi um imprevisto, que pode ocorrer em qualquer evento.

Quanto à seleção da apresentação, tenho a informar que, para pessoas que admiram cultura e conhecimento, independente de credo ou preconceitos, a apresentação artística foi aplaudida e agradou a muitos. Lembre-se sempre deste pensamento "Não sei a receita do sucesso, mas, agradar a todo mundo é a receita do fracasso".

Tenha certeza de que em nenhum momento, a apresentação teve a intenção de ferir princípios e valores até porque este é o primeiro valor do Grupo AMADEUS.

Quanto à sua classificação "mesquinho e inútil" , prefiro desconsiderar e te convidar para uma conversa na Coordenação do Curso.

Entretanto, respeito as suas considerações porque, como dizia Henri Frederic Amiel, filósofo francês "A bondade é o pricípio do tato e o respeito pelos outros é a primeira condição para saber viver."

Atenciosamente,

Profª. M.Sc. Gisélia Varela
Coordenadora do Curso de Administração
FAMA - Faculdade Amadeus
(79) 2105-2036


Em 26 de Outubro de 2010, às 03:53:21, Anderson escreveu:

Boa noite caros Colegas!

Devido a compromissos laborais estive ausente das aulas por 10 dias. Fico muito surpreso e espantado com tamanho comentário.

O Brasil é uma país multicultural e trazer parte das cultura a um evento chamado "Café Filosófico", ao meu ponto de vista não seria desrespeito. Como a Gisélia já falou, a apresentação foi sim além do programado*. Mas, essa não é a primeira vez que lidamos com atrasos em eventos.

O comentário do(a) colega anônimo(a) faz referência a "ferir princípios e valores". Em momento algum recordo-me de o grupo impor nemhum tipo de crença. Foi apenas uma apresentação teatral baseada na cultura afro. Para mim, parace absurda a idéia de que um(a) aluno(a) em formação superior não consiga discernir sobre isso.

Bem, talvez eu seja suspeito para falar sobre o grupo. Afinal, admiro (asim como muitas pessoas admiraram) o trabalho desenvolvido pelo grupo Yaôliné e ajudei/mediei a sua apresentação no evento. Mas, a quem interessar, o grupo vem desenvolvendo ao longo de 01 ano de existência um belo e reconhecido trabalho de preservação e exaltação da cultura negra. Já se apresentou em projetos de extensão da Universidade Tiradentes, na Polícia Militar, em eventos culturais, etc. Pesquisem, caso tenham interesse.

Enfim, os aplausos direcionados ao grupo ao fim da apresentação falam por si. Caso existissem tantos alunos ofendidos/revoltados, isto não teria ocorrido. E lembrem-se: na história humana, sempre que se acreditou haver apenas um credo, uma verdade, uma cultura, valores e princípios incontestáveis; foi quando registramos os maiores genocídios, desrespeito ao ser humano e privação da liberdade. 

Acreditem na diferença e respeitem a todos!

Anderson Costa
5º ADM

Posição Oficial do Yaônilé

É difícil acatar a crítica de quem não se identifica da mesma forma que é impossível ignorá-la. O Yaônilé, enquanto Cia de Dança Afro, não tem a intenção de vender ideologias, nós oferecemos cultura e conhecimento. Quem de fato se interessa em obtê-lo não se oporia a ele, muito menos iria repudiá-lo.

Na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, na qual todos os cidadãos tenham a possibilidade de expressar sua arte sem serem atacados direta ou indiretamente, nós queremos ser referência e, para isso, não nos deteremos frente ao preconceito e à alienação de quem, no mínimo, não tem a hombridade de assumir publicamente a sua opinião. 

Temos o respaldo de sermos, apesar da tenra idade, um dos grupos mais admirados da cidade por vários motivos. Temos a chancela de qualidade que só as mais de 10 mil pessoas que já nos assistiram conseguem assegurar. Trabalhamos com dedicação, afinco e amor. Semeamos a arte em favor da disseminação do respeito, da igualdade e da soberania da paz, para que essa densa névoa de preconceito se dissipe de nossa sociedade. Leiam o que o Mestre Fernando Lins afirmou sobre essa apresentação.

Princípios e valores são feridos quando as pessoas deixam de respeitá-los. E é sempre bom lembrar que preconceito continua sendo crime.

Obs.: O Yaônilé apresentou uma coreografia ininterrupta de 39'11'' seguindo o acordo que estipulava o prazo de 40'. Registros em áudio comprovam.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

"Preciso ver e sentir tudo isso de novo", por Fernando Lins de Carvalho


Com lágrimas nos olhos, visivelmente emocionado: "Magnífico, extraordinário! A apresentação mais bonita que vi, nunca assisti nada parecido e olha que eu posso falar sobre cultura. Parabéns com louvor! A religiosidade, a estética, a performance, os elementos, tudo perfeitamente pensado e encaixado. A sociedade precisa ver esse grupo e sua representação da autêntica manifestação de fé afro-brasileira." Vira-se para o amigo Pedro Henrique que faz um convite de apresentação e avisa: "Pra onde eles forem, me avise. Preciso ver e sentir tudo isso de novo."

 

O Mestre Fernando Lins de Carvalho é aracajuano e, aos 62 anos, é uma personalidade sergipana. É formado em História e Direito, Mestre em Arqueologia e uma sumidade na área cultural. Em 2008 recebeu a mais alta condecoração concedida pelo município de Aracaju: a Medalha Cultural Ignácio Barbosa. Foi homenageado com a construção do Centro Municipal de Aperfeiçoamento e Recursos Humanos Profº Fernando Lins de Carvalho. Em 2003 lançou o livro Pré-História Sergipana pelo Max e pela UFS (ambas instituições comportam projetos do professor) e, no 1º Fórum da Sergipanidade proferiu a Palestra "Religiosidade Sergipana: Análise do sagrado no processo de criação e da organização dos grupos sociais e da sociedade sergipana". Atualmente é Professor de Sociologia da Faculdade Amadeus e admirador do Yaônilé.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Orgulho de ser Yaônilé!


É isso aí!

Hj pela manhã algo me surpreendeu. 
Estava numa loja na Av. Hermes Fontes, quando fui abordado por um vendedor me oferecendo ajuda. Agradeci e informei que já havia sido atendido. Irritado por já ter esperado anteriormente, fiquei puto quando vi um terceiro vendedor se aproximando. Vá você e seu atendimento pra outro lugar, pensei. A surpresa começou quando ele, sem dizer o nome eu sem perguntar, disse que já sabia que eu estava sendo atendido mas que estava prestando atenção em mim desde que eu entrei na loja! Impensadamente, talvez pelo susto, levei a mão ao peito e perguntei o porquê. 
Você faz parte de um grupo de dança?, perguntou. É, faço sim, respondi. Os elogios começaram: - Pô, achei muito lindo, muito bem representada a nossa cultura! Deveriam se apresentar em todos os lugares do estado para que a sociedade conheça e saiba que não se trata de nenhuma cultura de filme de terror! Vi pessoas se benzendo, algumas com cara de assustada, outras emocionadas, outras rindo, mas a maioria das pessoas adoraram! Minha turma do segundo período de administração lá na FAMA , por exemplo, estava em peso e ficamos maravilhados com a apresentação, com gostinho de quero mais! Vocês deveriam divulgar mais a apresentação para que as pessoas, através de vocês, possam conhecer a nossa cultura, afinal, não há quem não tenha o pé nela, não é mesmo? Riu e continuou. Parabéns, 'viu' cara? Foi muito lindo! 
Ainda com a mão no peito agradeci estendendo a outra mão: Muito obrigado pelo reconhecimento! Foi muito bom encontrar com você hoje! Enchi os olhos de lágrimas cheio de orgulho, fechei a mão, bati forte no peito e disse a ele: É cara, somos o Yaônilé! =D

Depoimento deixado pelo bailarino Alan Lagoa na página de recados do nosso Orkut hoje, 13 de Outubro. O texto foi editado para postagem - original disponível no Orkut.

Gerados na força, na fé e na emoção. Saravá, Axé!
Somos Yaônilé!

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
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terça-feira, 12 de outubro de 2010

"É uma legítima demonstração da cultura afro-brasileira!", por Anderson Costa

"A apresentação foi linda! Pode-se perceber a dedicação e o cuidado da equipe na coreografia, nas roupas e na forma como a cultura afro é contada no espetáculo. Isto é mais que uma apresentação de dança. É uma legítima demonstração da cultura afro-brasileira!"

Anderson Costa é analista de Recursos Humanos e acadêmico de administração da Faculdade Amadeus, responsável pelo convite ao grupo para o evento.

Axé a todos os nossos irmãos!
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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Minha Família - Karyne Borges

Nada pode durar muito tempo se as relações de amor, afeto, confiança e respeito não forem suficientemente fortes. É por isso que o Yaônilé está fadado a ter vida longa - nada disso falta por aqui. Prova disso serão os depoimentos que entrarão aqui na Label Minha Família.

Estreamos com o depoimento de Tereza Cristina, mãe da nossa bailarina Karyne Borges:

"Acho que está valendo a pena, pois minha filha está fazendo o que gosta e com amor, isso é o que é importante, sem contar os conhecimentos e as amizades adquiridas durante esse tempo. "



É desse tipo de amor que somos feitos. O amor que incentiva, acolhe, proteje e projeta. 

Muito obrigado por acreditar em nós, Tereza. O resultado de tudo isso, colheremos juntos.

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terça-feira, 23 de março de 2010

Yaônilé por quem assistiu. #1 | Gilton Kennedy


Gostaríamos de agradecer o email de congratulação que recebemos hoje do Pró-Reitor da Universidade Tiradentes, Gilton Kennedy. Ficamos muito felizes em ter participado de um grande evento como a 4ª SemEX e mais felizes estamos por já estarmos elencados para fazermos a abertura de outro grande evento da Instituição.

Abaixo, transcrevo o email recebido para que todos possam compartilhar conosco essas belas palavras.

"Prezado Danilo,

Gostaria de expressar meus sentimentos com relação a apresentação cultural realizada no dia 08.03.2010, fico muito feliz quando vejo um grupo de jovens entusiasmados e contentes em representar com seriedade a nossa cultura, pois percebi com clareza o entusiasmo e competência de todos do grupo, o bom profissionalismo desenvolvido no palco.
Gostaria de destacar a importância de tal acontecimento, pois foi demonstrado como é belo um trabalho desenvolvido com espírito de equipe e passando para toda a comunidade o valor real da cultura negra em nosso estado.


Atenciosamente,


Gilton Kennedy Souza Fraga
Pró-Reitor Adjunto de Assuntos Comunitários e Extensão
Universidade Tiradentes

Axé a todos os nossos irmãos!
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Olorum Colofé!