domingo, 3 de outubro de 2010

Eleições 2010

Créditos
É impossível negar a repercussão que a campanha eleitoral 2010 atingiu em todos os cantos do país. De maneira ainda mais inefável o quão decisivo é este momento para a história dos brasileiros. Que seu voto tenha o peso do compromisso com a cidadania, com a cultura, educação, esporte e segurança. Que você saiba discernir o joio do trigo nesses imensos currais eleitorais.

Créditos
Preze pelo bom senso ao analisar suas reais necessidades e a qualificação dos candidatos antes de atestar sua capacidade com a tecla CONFIRMA. Vote com a consciência de quem tem uma missão muito importante: decidir o próprio futuro. As eleições 2010 | 1º Turno acontecem hoje, 03 de outubro, das 08 às 17h, em todo o território nacional.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Obatalá cria Icu, a Morte


Quando o mundo foir criado,
coube a Obatalá a criação do homem.
O homem foi criado e povoou a Terra.
cada natureza da terra, cada mistério e segredo,
foi tudo governado pelos orixás.
Com atenção e oferendas aos orixás,
tudo o homem conquistava.
Mas os seres humanos começaram a se imaginar
com os poderes que eram próprios dos orixás.
Os homens deixaram de alimentar as divindades.
Os homens, imortais que eram,
pensavam em si mesmos como deuses.
Não precisavam de outros deuses.
E Obatalá decidiu que os homens deveriam morrer;
cada um num tempo certo, numa certa hora.
Então Obatalá criou Icu, a Morte.
E a encarregou de fazer morrer todos os humanos.
Obatalá impôs, contudo, à morte Icu uma condição:
só Olodumare podia decidir a hora de morrer cada homem.
A Morte leva, mas a Morte não decide a hora de morrer.
o mistério maior pertence exclusivamente a Olorum.

[Notas Bibliográficas e Comentários]

Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi publicado pela Cia das Letras, págs 506-7. Originalmente transcrito de Natalia Aróstegui, 1994 (b), pp. 8-10.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

Oxaguiã manda libertar o amigo preso injustamente



O filho de Oxalufã tornou-se um guerreiro forte
e decidiu um dia conquistar um reino para si.
Partiu em companhia de seu amigo Auoledjê.
Conquistou Ejigbô, tornando-se seu rei, Elejigbô.
O rei tinha uma grande paixão, comer inhame pilado.
E comia com gula, tanto que o chamavam Oxaguiã,
que quer dizer "Oxalá-Comedor-de-Inhame-Pilado".

Um dia Auoledjê, que era um grande babalaô,
precisou partir de Ejigbô.
Antes disso, aconselhou Oxaguiã
que fizesse oferendas,
que tornariam o reino próspero.
Assim, como previa Auoledjê,
Ejigbô tornou-se uma grande cidade,
rica e bem guardada pelos bravos soldados de Oxaguiã.
O rei Elejigbô vivia em fausto entre os súditos,
por quem era chamado de "Kabiyesi",
que é o mesmo que Sua Majestade.
Na intimidade os amigos o chamavam de "Comedor-de-Inhame-Pilado",
mas em público isso era uma heresia.

Anos mais tarde, Auoledjê retornou a Ejigbô.
Ao adentrar a cidade, procurou logo por Oxaguiã.
"Onde está o Comedor-de-Inhame-Pilado?", perguntou.
Os soldados, que não o conheciam,
ficaram furiosos com tamanha insolência.
Isso era jeito de se referir ao rei?
Prenderam e maltrataram o desconhecido amigo de Kabiyesi.
Auoledjê ressentiu-se da humilhação.
Com seus poderes mágicos, vingou-se.
durante sete anos todas as catástrofes conhecidas,
e não faltando a seca, assolaram o reino de Oxaguiã.

Oxaguiã, desesperado, procurou os adivinhos.
E pelo oráculo eles viram a prisão de Auodjelê.
Um amigo do rei estava preso injustamente.
Oxaguiã correu para a prisão para libertar o velho amigo.
Oxaguiã libertou-o,
mas o amigo, ainda ressentido, escondeu-se na mata.
Elejigbô buscou o velho amigo, suplicando seu perdão.
Auodjelê cedeu com uma condição:
que nunca aquele povo se esquecesse dessa injustiça.
Todos os anos o povo deveria flagelar-se,
em memória do funesto acontecido.
Assim, todos os anos,
o rei deveria mandar muitas pessoas à floresta cortar varetas.
os súditos, divididos em dois grupos, tomariam as varas,
simulariam golpes uns nos outros, sem parar,
até que as varetas se quebrassem.
Para que nunca se esquecessem daquela injustiça
praticada contra o amigo de Oxaguiã.
Assim foi feito e o reino de Oxaguiã voltou à tranqüilidade
e Oxaguiã foi o maior dos reis de Ejigbô.
Quando ele foi para o Orum, transformado em orixá,
seu culto não se esqueceu do velho amigo babalaô.
Com as varetas de Oxaguiã, com os atoris,
seus adeptos renovam sempre a memória da injustiça,
para que ela não volte a acontecer.


[Notas Bibliográficas e Comentários]


Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás de Peginaldo Prandi, publicado pela Cia das letras, págs 491-2. Originalmente encontrado e/ou transcrito de Pierre Verger, 1981 (b), pp. 64-8; Verger, 1985, pp. 65-7. No Brasil e em Cuba, Oxaguiã é cultuado como qualidade de Oxalá-Orixalá. É dito Oxalá Jovem no Brasil e O Velho em Cuba. Na África é uma divindade independente. Na África, até hoje, todos os anos no final da estação da seca habitantes de dois bairros de Ejigbô reúnem-se e batem-se com varetas durante todo um dia, a fim de representar sua súplica para que a chuva retorne. Nos candomblés, tal costume é reproduzido no ciclo de festas em homenagem a Oxalá ( as Águas-de-Oxalá), especialmente na parte reservada a Oxaguiã (o Pilão de Oxaguiã), quando os devotos do terreiro se dividem em dois grupos que se batem com as varetas (atori), em rito de expiação.


Atori [àtòrì] - Vareta usada para flagelação em cerimônia a Oxaguiã; representa os ancestrais; vara da árvore africana Glyphaea lateriflora.


Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!

Oxumarê transforma-se em cobra para escapar de Xangô!



Oxumarê era um rapaz muito bonito e invejado.
Suas roupas tinham todas as cores do arco-íris
e suas jóias de outro e bronze faiscavam de longe.
Todos queriam aproximar-se de Oxumarê,
mulheres e homens, todos queriam seduzi-lo
e com ele se casar.
Mas Oxumarê era também contido e solitário.
Preferia andar sozinho pela abóbada celeste,
onde todos costumavam vê-lo em dia de chuva.

Certa vez, Xangô viu Oxumarê passar;
com todas as cores de seu traje e todo o brilho de seus metais.
Xangô conhecia a fama de Oxumarê
de não deixar ninguém dele se aproximar.
Preparou então uma armadilha para capturar o Arco-Íris.
Mandou chamá-lo para uma audiência em seu palácio
e, quando Oxumarê entrou na sala do trono,
os soldados de Xangô fecharam as portas e janelas,
aprisionando Oxumarê junto com Xangô.
Oxumarê ficou desesperado e tentou fugir,
mas todas as saídas estavam trancadas pelo lado de fora.
Xangô tentava tomar Oxumarê nos braços
e Oxumarê escapava, correndo de um canto pro outro.
Não vendo como se livrar, Oxumarê pediu ajuda a Olorum
e Olorum ouviu sua súplica.
No momento em que Xangô imobilizava Oxumarê,
Oxumarê foi transformado numa cobra,
que Xangô largou com nojo e medo.
A cobra deslizou pelo chão em movimentos rápidos e sinuosos.
Havia uma pequena fresta entre a porta e o chão da sala
e foi por ali que escapou a cobra,
foi por ali que escapou Oxumarê.
Assim livrou-se Oxumarê do assédio de Xangô.
Quando Oxumarê e Xangô foram feitos orixás,
Oxumarê foi encarregado de levar água
da Terra para o pálacio de Xangô no Orum,
mas Xangô não pode nunca aproximar-se de Oxumarê.

[Notas Bibliográficas e Comentários]

Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi, publicado pela Cia das Letras, págs 226-7. Originalmente encontrado e/ou transcrito de Reginaldo Prandi, pesquisa de campo, Rio de Janeiro, 1998. Narrado por Pai Agenor Miranda Rocha.

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Logum Edé devolve a visão a Erinlé


Logum Edé era um faceiro caçador.
Erinlé o conheceu e foram caçar juntos.
Eram filho e pai, mas um outro não sabia.
Logum Edé era muito sedutor
e Erinlé se apaixonou por ele.
Ambos caçavam mais que todo mundo;
eram os dois os maiores odés.
Logum Edé flechava todos os pássaros,
mas respeitava os pássaros das feiticeiras.
Com as Iá Mi Oxorongá tinha esse pacto
e delas guardava alguns segredos.
Levava a tiracolo o adô que ganhara das velhas bruxas,
um bornal repleto de fórmulas mágicas e mistérios.

Um dia Logum Edé se distraiu
e Erinlé matou o pássaro proibido.
As Iá Mi imediatamente se vingaram
e mandou um feitiço que cegou a ambos.
Logum Edé então abriu o adô que carregava
e retirou o mistério das Iá Mi.
Pôde com ele devolver a Erinlé
a luz do sol e o brilho das estrelas.
Cego, partiu Logum seguido por Erinlé
e acabaram chegando à lagoa
onde Oxum se banhava e lavava suas pulseiras.
Logum Edé aproximou a mãe do companheiro
e dentro d'água um amor antigo renasceu.
Dessa nova união de Erinlé e Oxum
nasceu um novo rio, o rio Inlé,
e nasceu um peixe que foi montado por Logum.
Nas águas de Inlé nadou o peixe
e levou Logum Edé para as profundezas.
Foi lá que Logum Edé conheceu Iemanjá,
que o adotou e lhe deu riquezas de seu reino.
Nas margens desse rio, ele vive, desde então, por certo tempo,
voltando a viver na mata no tempo seguinte.
Logum Edé, o caçador das matas,
ganhou assim os peixes de Iemanjá.

[Notas Bibliográficas e Comentários]
Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi publicado pela Cia das Letras, págs 138 - 9. Originalmente encontrado e/ou transcrito de Reginaldo Prandi, pesquisa de campo, São Paulo, 1997.

Adô - Pequena cabaça para carregar pólvora, embornal dos orixás caçadores. Também nome da cabaça que ewá leva na mão quando dança e que em alguns candomblés é chamada de aracolê.
Odé - Caçador; nome genérico para os orixás da caça; denominação de Oxóssi na nação nagô do xangô pernambucano e no batuque gaúcho.

Axé a todos os nossos irmãos!
Deus é tudo acima de todas as coisas!
Olorum Colofé!